Norte-americanos vão às urnas; quais os desafios do próximo presidente?

Barack Obama ou John McCain - Consertar o sistema financeiro, ajustar o déficit fiscal e outros desafios que os aguardam

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SÃO PAULO – Mais do que uma simples eleição, a disputa pela Casa Branca é decisiva para o futuro do mundo nos próximos anos. Sabendo disto, as atenções voltam-se para os Estados Unidos nesta terça-feira (4), dia em que os norte-americanos irão oficialmente às urnas para escolher entre Barack Obama e John McCain.

Revelando o sentimento reinante nos mercados, Bob Doll, diretor da gestora de recursos BlackRock, afirma que “a economia dos Estados Unidos enfrenta uma recessão mais profunda que o normal”. Seja quem for o escolhido pelos norte-americanos, sabe-se que os desafios econômicos à sua espera serão grandes.

Herança

Decorrência direta da euforia vivida pelos mercados financeiros nos últimos anos de bonança e grande crescimento global, muitos acreditam que os excessos relativos ao crédito e à avaliação distorcida de riscos foram resultado da falta de regulação adequada sobre os mercados.

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Partidários de uma presença maior do Estado na economia, os democratas, como Barack Obama, podem ser favorecidos e conseguir formar maioria expressiva no Congresso e eleger um Presidente, após oito anos do republicano George W. Bush no poder. À John McCain, cabe a difícil missão de desvencilhar-se do fardo do atual governo e contrariar todas as pesquisas de opinião.

Muitos desafios

Certamente, rever os marcos reguladores para sanear e fortalecer o sistema financeiro norte-americano será um dos maiores desafios do próximo presidente. Ademais, muitos analistas apontam para a necessidade de uma resposta mais direta e firme aos desafios impostos pela provável recessão, ao contrário das pouco consensuais medidas tomadas até aqui.

Outra ação importante é ressaltada pelo Société Générale. Tendo Barack Obama como favorito para vencer o pleito, os analistas entendem que “um dos primeiros importantes anúncios esperados pelo presidente será a designação do próximo Secretário do Tesouro”. Seus palpites? Atenção ao presidente do Federal Reserve de Nova York – Tim Geithner -, e a figuras já conhecidas, como o ex-chairman do Fed Paul Volcker.

Ao mesmo tempo, a munição de que dispõem os EUA para enfrentar a crise parece esgotar-se. Certamente, o próximo presidente será constrangido pelo déficit fiscal anual deixado por George W. Bush – próximo a US$ 1 trilhão. “Com o controle da Casa Branca e uma maioria forte no Congresso, os democratas estarão aptos a implantar sua agenda, que pode incluir a revisão de muitas das mudanças em impostos e regulação realizadas nos últimos anos”, afirma Bob Doll.

Dois gumes

Mas talvez elas não sejam tão simples assim. Com a economia sufocada pela falta de crédito, aumentar impostos para solucionar o desequilíbrio orçamentário não encontra eco mesmo na campanha de Barack Obama – que promete rever os cortes de impostos para indivíduos de maior renda promovidos por Bush, mas reduzir a carga sobre contribuintes de classe média. Por sua vez, McCain reforça que não tocará nos tributos.

Com o crédito encarecido e o fantasma de estagflação, parte dos analistas acredita que elevar gastos para estimular a economia seria dar um tiro no próprio pé. Outros, no entanto, acreditam que investimentos em infra-estrutura e cortes de impostos são mais que necessários. Caberá a um dos senadores, Barack Obama ou John McCain, dar os próximos passos.

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