Política

Nomeação de Eduardo Bolsonaro para liderança foi quebra de acordo, diz aliado de Bivar

Considerado porta-voz informal da ala "bivarista", deputado Júnior Bozzella diz que uma nova lista foi apresentada e Delegado Waldir deve voltar à liderança

SÃO PAULO – A nomeação de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) como novo líder pesselista na Câmara dos Deputados não coloca um ponto final na disputa interna no partido e tende a agravar a crise iniciada há duas semanas.

Poucos minutos após Secretaria-Geral da Mesa da casa legislativa confirmar o filho do presidente Jair Bolsonaro como novo líder do partido, com o apoio de 28 dos 53 membros da bancada, o InfoMoney ouviu por telefone o deputado Júnior Bozzella (PSL-SP), considerado porta-voz informal do grupo aliado ao presidente da sigla, Luciano Bivar (PE).

Ele disse que, mais cedo, um acordo de pacificação havia sido firmado entre o ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, e Luciano Bivar. Segundo o parlamentar, ambos haviam concordado com um cessar-fogo e em definir um novo “líder em consenso”

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“Houve uma quebra de acordo. General Ramos ligou hoje às 7h30 para o Bivar. Propôs acordo [para que ambos não apresentassem lista pela liderança da bancada]. Bivar topou. Victor Hugo (líder do governo) quebrou a lista. Tudo que o governo propôs de pacificação era mentira ou desarticulação. O partido agiu de boa fé”, afirmou.

Segundo Bozzella, o acordo envolvia a nomeação de uma nova liderança, que não fosse Eduardo Bolsonaro (defendido pelos aliados do presidente), nem o líder anterior, Delegado Waldir (defendido pelos bivaristas).

A lista apresentada nesta manhã junto à Secretaria-Geral da Mesa da Câmara pelo líder do governo, deputado Vitor Hugo (PSL-GO),  continha 29 assinaturas, mas uma não foi confirmada. No documento, há três deputados que haviam assinado um documento que apoiava Waldir: Coronel Chrisóstomo (RO), Daniel Silveira (RJ) e Léo Motta (MG).

A assessoria de Waldir divulgou, também pela manhã, um vídeo no qual diz que o partido decidiu retirar a ação de suspensão de cinco parlamentares e que ele reconhecia uma nova liderança na bancada — porém, sem citar diretamente Eduardo Bolsonaro. A gravação foi feita sem que o grupo soubesse da lista favorável ao filho do presidente e as declarações se referiam à decisão em torno de um terceiro nome para o posto.

Com o que entende ser uma ruptura de acordo, o grupo bivarista diz já ter protocolado uma nova lista indicando Delegado Waldir (PSL-GO) de volta para a liderança do PSL. A expectativa de Bozzella é que a substituição ocorra até amanhã (22).

Em outro flanco, a Executiva Nacional do partido também dará andamento aos pedidos de suspensão de deputados como Alê Silva (MG), Bibo Nunes (RS), Carla Zambelli (SP), Carlos Jordy (RJ) e Filipe Barros (PR). O deputado não informou quantos nomes seriam suspensos.