Publicidade
A nomeação de Adeilson Ribeiro Telles à presidência da estatal Nuclebrás Equipamentos Pesados (Nuclep), em dezembro, abriu uma nova frente de atrito no diretório fluminense do PT. A escolha de Telles para assumir a empresa vinculada ao Ministério de Minas e Energia é criticada pelo vice-presidente nacional da sigla e prefeito de Maricá, Washington Quaquá.
Ele alega ter havido uma escolha da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), sem a consulta do ministro Alexandre Silveira (PSD), titular da pasta. Dirigentes petistas ouvidos pela reportagem, por outro lado, atribuem a escolha a Silveira.
Segundo Quaquá, a indicação de Telles ocorreu por um pedido da ala fluminense do partido ligada ao líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, e ao secretário de Assuntos Parlamentares do Planalto, André Ceciliano. O prefeito de Maricá alega que a prisão de Telles em 2018, no âmbito da Operação Rizoma da Polícia Federal (PF), que apurou desvio de recursos de fundos de pensão, poderá desgastar a imagem do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em paralelo à corrida eleitoral de 2026.
Feito para você!

Flávio Bolsonaro inicia ano eleitoral indo a Israel enquanto tenta unificar a direita
Após EUA, pré-candidato à Presidência viaja a Israel buscando consolidar nome; no sábado, enviou ‘sinal de paz’ a Michelle e Tarcísio

Disputa pelo espólio de Eduardo Bolsonaro racha PL e expõe queda de braço da família
Sem perspectiva de concorrer ao Senado, filho do ex-presidente enfrenta dificuldades internas para influenciar composição da chapa ao Senado
— É preciso ter cuidado com as nomeações e aprender a ouvir mais quem defende o PT e o governo do presidente Lula nos estados. A articulação política do governo hoje virou um comitê de Lindbergh e Ceciliano. Eles estão indicando pessoas para cargos que vão dar problemas para o governo. Eu não tenho nenhum cargo no governo Lula e nem quero ter, mas vou brigar com quem for para proteger o presidente e o PT — afirma Quaquá.
O cargo de Ceciliano no governo é vinculado à pasta da ministra. Aliados de Lindbergh afirmam que a escolha de Telles foi “natural” diante da atuação que ele já exercia na empresa. Ele ingressou na Nuclep em 2023 e ocupava a função de Gerente-Geral da Presidência desde maio de 2024.
Em caráter reservado, petistas também alegam que a escolha de Telles para o cargo de presidente partiu do próprio Silveira, e que foi “uma decisão tomada em comum acordo” dentro do PT fluminense, com exceção de Quaquá.
Continua depois da publicidade
Operação Lava-Jato
Telles foi preso em abril de 2018 em uma ação de desobramento da Operação Lava-Jato no Rio que apurou um esquema de fraude de fundos de pensão. Segundo os investigadores, a iniciativa criminosa gerou aproximadamente R$ 20 milhões em propina. Os valores eram enviados para empresas no exterior.
Ele foi solto no mês seguinte por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. O processo foi posteriormente arquivado.
— Telles faz parte da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB) do PT, a majoritária no partido, que, inclusive, é a de Quaquá. Já o Lindbergh compõe a Resistência Socialista, uma outra frente. Telles foi nomeado por Silveira. Considero sensacionalista e até desonesto (Quaquá) requentar a situação onde Telles foi acusado e preso como se ele fosse culpado, uma condenação eterna para uso político — afirma Olavo Brandão, membro da Executiva Estadual do PT no Rio.
O embate no diretório estadual do partido vem escalonando nos últimos meses, em meio a divergências sobre os rumos do partido na eleição de 2026. O grupo de Quaquá tem defendido uma aliança com o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), que deve ser candidato a governador em outubro.
Já a ala mais ligada a Lindbergh e Ceciliano resiste, hoje, a aderir a Paes. Ceciliano, ex-presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), passou a ser cotado a concorrer a um mandato-tampão no governo estadual a partir de abril, quando o atual governador Cláudio Castro (PL) deve deixar o cargo. Nesse caso, a votação é feita pelos deputados estaduais, com possibilidade de o eleito concorrer novamente ao governo em outubro.
No ano passado, Quaquá acusou lideranças ligadas ao Planalto de usarem a máquina federal para “fazer política própria” e de descaso com o presidente Lula. Como resposta, Lindbergh classificou o correligionário como “desprezível”.
Continua depois da publicidade