Bastidores

No “pior momento” para Dilma no poder, PMDB volta a discutir impeachment com oposição

O momento é propício para os agentes políticos refazerem os cálculos sobre os custos e benefícios de ser fiador de Dilma ou patrocinar sua saída sem a companhia do vice

SÃO PAULO – A prisão do marqueteiro de importantes campanhas petistas recentes, João Santana, lançou novas cartas à mesa no jogo da sobrevivência da presidente Dilma Rousseff no poder. Com as colaborações do juiz Sergio Moro, ao fornecer informações que engrossam o conteúdo das acusações na ação contra a chapa no comando do Executivo, a cassação voltou a ter maior impacto, com desdobramentos também no antigo projeto do vice Michel Temer assumir caso Dilma sofresse o impeachment — plano do qual se viu obrigado a recuar para manter-se na presidência do PMDB.

O efeito colateral disso pode ser também uma nova maré alta da pauta do impeachment, após seu arrefecimento com as determinações do Supremo Tribunal Federal. Empoderado pela decisão da corte, o presidente do Senado e principal aliado de Dilma nesse momento, Renan Calheiros, tem enxergado novas dificuldades no horizonte. “É o pior momento de toda a crise”, teria afirmado a interlocutores, como conta reportagem d’O Estado de S. Paulo. O jornal conta que parlamentares de PSDB e PMDB concluíram que precisam buscar um entendimento para promover a saída da presidente, após conversas com ministros do STF.

O que está em jogo para o PMDB no momento é: a cassação removeria até o vice Michel Temer, e abriria caminho para a oposição, que larga com vantagem em novas eleições pelo recall da última disputa apertada. Como se não fosse suficiente, haveria ainda a preocupação com Eduardo Cunha (PMDB-RJ) conduzindo o país interinamente até que novas eleições fossem realizadas, em prazo de até 60 dias; Do lado do impeachment, o vice assume. Este também não é um cenário dos sonhos para Renan Calheiros. Muito embora o processo de cassação que tramita no Tribunal Superior Eleitoral preocupe o governo e anime os opositores — segundo a Folha de S. Paulo, Temer teria recebido sinais de que as informações que existem hoje abririam espaço para o êxito da cassação –, ainda é esperada morosidade até o caso ser concluído. Há quem fale em dois anos.

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O momento é propício para os agentes políticos refazerem os cálculos sobre os custos e benefícios de ser fiador de Dilma ou patrocinar sua saída sem a companhia do vice. A prisão de Santana indicou que o Planalto perdera o controle sobre as investigações da Lava Jato. Para interlocutores ouvidos pela Folha, ficar inerte aos avanços das operações em andamento reduziria o poder do Congresso e do Executivo, deixando-os à mercê do Executivo. Somado a isso, crescem os argumentos que apontam para uma saída menos traumática para o impeachment à cassação. Neste contexto, Temer prefere a discrição.

Agora, o momento para as principais lideranças peemedebistas é de tentar compreender a maior gama de cenários possíveis. Entre as inquietações, destaca-se uma que se refere ao futuro da ação pela cassação da chapa se Dilma sofrer o impeachment antes. Esse é um jogo do qual o vice-presidente é parte muito interessada.

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