Nikolas quer ouvir ex-assessor de Moraes sobre relatórios do TSE em comissão

Deputado do PL alega que sociedade precisa de respostas sobre supostos abusos na condução da Justiça Eleitoral

Marina Verenicz

Ativos mencionados na matéria

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O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) apresentou requerimento para ouvir o ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes, Eduardo Tagliaferro, na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados.

O objetivo, segundo o parlamentar, é esclarecer a atuação de Tagliaferro na produção de relatórios sobre políticos, influenciadores e veículos de comunicação durante sua passagem pela Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Tagliaferro foi assessor de Moraes no período em que o ministro presidiu o TSE e tinha entre suas funções a análise de conteúdos considerados desinformativos sobre o processo eleitoral e as instituições públicas. Em abril, ele foi indiciado pela Polícia Federal por violação de sigilo funcional com prejuízo à administração pública.

Por se tratar de um convite e não de uma convocação, Tagliaferro não é obrigado a comparecer à Câmara, mesmo que o requerimento seja aprovado.

“O Brasil precisa conhecer a verdade. As recentes mensagens lançam luz sobre possíveis abusos de autoridade e ações incompatíveis com o Estado Democrático de Direito. A sociedade merece respostas transparentes”, declarou Nikolas Ferreira ao justificar o pedido.

Segundo a PF, Tagliaferro teria repassado informações sigilosas a um jornalista da Folha de S.Paulo, enquanto ocupava cargo no TSE. A acusação baseia-se em depoimentos e na quebra de sigilo telemático autorizada pela Justiça.

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Em um dos trechos do relatório, os investigadores citam conversa de abril de 2024 em que Tagliaferro teria admitido à esposa ter enviado os dados ao repórter.

“O diálogo deixou evidente que Eduardo divulgou ao jornalista informações que foram obtidas enquanto ele laborava na Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE. Estas informações deveriam ser mantidas em sigilo”, diz o documento da PF.

O caso ocorre em meio ao aumento da tensão entre setores do Congresso e o Supremo Tribunal Federal, especialmente em torno das decisões tomadas por Moraes sobre desinformação e liberdades na internet. A comissão da Câmara ainda não votou o requerimento.