Em entrevista

“Não veria problema de Moro receber o presidente Lula”, diz Gilmar Mendes

"Quem opera mal e obra mal o faz de manhã, de tarde, à noite. Então a mim me parece que isso tem que ser esclarecido. E tem que parar com esse tipo de teoria conspiratória", afirmou o magistrado

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SÃO PAULO – Há certo tipo de teoria conspiratória na imprensa no que diz respeito à ausência de determinados eventos nas agendas oficiais de figuras públicas. Essa é a avaliação do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Em entrevista ao jornal O Globo, o magistrado classificou a reunião que manteve com o presidente Michel Temer fora da agenda de ambos como absolutamente normal. Segundo ele, estava marcada uma reunião com o ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral) da qual o peemedebista decidiu participar também.

“A mim me parece que há um certo estresse, um certo nervosismo por parte da própria mídia, e a invenção de um certo protocolo que ela mesmo não segue”, afirmou Mendes. “Quem opera mal e obra mal o faz de manhã, de tarde, à noite. Então a mim me parece que isso tem que ser esclarecido. E tem que parar com esse tipo de teoria conspiratória”.

Segundo o magistrado, o assunto da reunião foi a reforma política, que precisa ser aprovada com até um ano de antecedência das eleições seguintes. “Nós estamos discutindo aqui, desde o primeiro dia na minha gestão na presidência (do TSE), a reforma política. E temos conversado com todos os atores. Eu não estou aqui pedindo certidão negativa de ninguém, nem posso. Estamos discutindo questões que precisam ser encaminhadas”, afirmou.

Quando questionado se seu encontro com o presidente Michel Temer, denunciado um dia antes pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot por corrupção passiva, poderia ser comparado a uma eventual situação de o juiz Sérgio Moro receber o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou o ex-ministro José Dirceu, o magistrado disse que tal paralelo “é absolutamente impróprio”. De todo modo, ele reforçou que “não veria nenhum problema de o juiz Moro receber o presidente Lula ou José Dirceu”.

Segundo Mendes, Temer não foi recebido “na condição de alguém que tenha uma denúncia”. “Eu conversei com ele como chefe de Estado, de governo, e eu como presidente do TSE”, disse. O magistrado também confirmou que a sucessão na PGR foi assunto tratado no encontro, mas negou que tenha feito alguma recomendação a Temer para a escolha. Ele reiterou ainda tom crítico à existência da lista tríplice, qualificando-a como uma “invenção corporativa” dos procuradores.