EXPERT XP 2020 Leandro Karnal discute a sociedade brasileira e seu futuro; acompanhe ao vivo

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Em seminário

“Não vejo um grande problema estrutural na economia brasileira”, diz Haddad

Prefeito de São Paulo, no entanto, acredita que a política pode virar um problema e comprometer a capacidade de o governo corrigir os rumos e eventuais excessos tomados no meio do caminho

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SÃO PAULO – O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou, na manhã desta quarta-feira (5), que é natural governos longos enfrentarem algumas crises, mas que não via problemas estruturais presentes hoje na economia brasileira. Haddad, que foi ministro da Educação durante parte das gestões dos presidentes Lula e Dilma Rousseff, defendeu as decisões tomadas e resultados conquistados pelos últimos governos nos planos econômico e social, e enalteceu aperfeiçoamentos no sistema democrático e suas instituições no combate à corrupção no País. Os posicionamentos foram feitos durante a participação do prefeito no evento “Rumos da Economia: desafios para o crescimento”, organizado pela revista Brasileiros, no Hotel Renaissance.

“Não vejo grande problema estrutural na economia brasileira. Agora, a política pode, sim, virar um problema”, uma vez que pode comprometer a capacidade de manejo do governo, afirmou o perfeito. “Governos longos enfrentam crises, mas normalmente em momentos distantes. Hoje, várias crises foram se sobrepondo e trazem reflexos na política”.

Haddad acredita ser necessária a criação de uma agenda de maioria para se administrar as adversidades, garantindo maiores possibilidades de o governo corrigir os rumos e eventuais excessos tomados no meio do caminho.”Você pode errar. Se você tiver as rédeas da política econômica na mão, é possível errar. Ninguém que é gestor, ao contrário de acadêmicos (que não têm nada a perder), tem compromisso com dogma. O dogma não pode imperar sobre o bom-senso”, pontuou. Segundo ele, as dificuldades atuais precisam ser resolvidas no front político.

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Outro assunto comentado foi o desempenho econômico do País durante os últimos governos, para o qual Haddad levanta um questionamento sobre a eficiência do governo em usar o momento a favor para gerar melhorias aos brasileiros. “Tomando como pressuposto, ainda que com algumas ressalvas, a ideia do ciclo de commodities, a pergunta que temos que fazer é se o Brasil soube aproveitar bem esse crescimento para fazer coisas relevantes do ponto de vista estrutural. Eu defendo a ideia de que sim, e não apenas em relação ao âmbito social”, afirmou o prefeito, elencando, além de resultados no combate à miséria, desenvolvimento de um mercado de massa, dstribuição de renda e acesso à educação, conquistas macroeconômicas, como, por exemplo, uma significativa capacidade de acumulação de reservas cambiais e a manutenção de um quadro de estabilidade da dívida bruta, na contramão da tendência de endividamento vista em outros países. Para ele, do ponto de vista fiscal de longo prazo, nossa situação não é desconfortável.

O tripé estratégico de desenvolvimento no setor de educação, infraestrutura e na questão institucional, diz Haddad, garantiu um bom aproveitamento do momento econômico favorável pelo qual o País passou nos últimos anos. “Aproveitamos bastante bem as oportunidades que se abriram. Hoje, nós temos uma carteira de projetos em infraestrutura, o que não estávamos acostumados a fazer desde a crise dos anos 80”, defendeu o prefeito paulistano.

No campo da educação, o ex-ministro enalteceu o significativo aumento nos aportes para a área, fator que culminou em um “catch up” do país com os vizinhos latino-americanos. “Nós éramos o pior sistema educacional da América Latina. Hoje, estamos longe disso. Não temos um sistema europeu, canadense ou australiano, mas, para o tempo em questão, colocamos o Brasil em uma situação muito mais confortável. Estudos, com base em dados empíricos, mostram que boa parte dessa inclusão que aconteceu pelo Bolsa Família, sim, salário mínimo, sim, mas também pelo aumento sobre ganho. Portanto, não foi uma coisinha que aconteceu no Brasil nesses dez anos do chamado ciclo de commodities”, completou Haddad. 

Outro assunto tratado durante a breve apresentação do prefeito foi a corrupção, considerado pela opinião pública um dos principais problemas a serem combatidos no Brasil, e muito associado à imagem do Partido dos Trabalhadores, pelo qual foi eleito para o atual cargo político que ocupa. “Do ponto ponto de vista institucional, o que está acontecendo hoje no Brasil é fruto do que se plantou no sentido do fortalecimento dos órgãos de controle. Temos órgãos de controle comparáveis aos de países desenvolvidos”, declarou o prefeito. Em sua avaliação, houve um aprimoramento nos mecanismos adotados para se descobrir e investigar práticas ilícitas, sobretudo na esfera pública.

Tais avanços, segundo Haddad, foram importados do Governo Federal pela prefeitura de São Paulo e já começaram a dar bons resultados. “Em pouquíssimo tempo, desbaratamos algumas quadrilhas de servidores e empresários que operavam na gestão pública municipal com muita facilidade. A conclusão que chegamos é de que é possível combater a corrupção”, encerrou o prefeito de São Paulo.