Eleições

“Não tenho dúvida de que Dilma vai dobrar a aposta em sua política”, diz Empiricus

Segundo o sócio-fundador da Empiricus e autor do livro "O Fim do Brasil", Felipe Miranda, a presidente reeleita não mudará o seu estilo de governar, apesar de poder dar sinalizações de que fará alterações no início do mandato

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SÃO PAULO – Após a reeleição de Dilma Rousseff (PT), muito se questiona agora se a presidente terá uma política mais ortodoxa no seu segundo mandato ou continuará com as suas políticas conhecidas como a “nova matriz econômica”. 

E, segundo o sócio-fundador da Empiricus e autor do livro “O Fim do Brasil”, Felipe Miranda, Dilma “dobrará” a sua aposta no tipo de política que adotou nos últimos três anos de governo. “Retroceder e aumentar sua ortodoxia indicaria um ‘estelionato’ eleitoral, de que ela manteria os mesmos planos, só que não corresponderia à realidade.

A nova matriz econômica foi um nome dado à série de medidas adotadas em resposta à crise de 2008 e é baseada em medidas como aumento dos gastos públicos, maior intervenção estatal da economia, menor preocupação com o combate à inflação, aumento da participação do BNDES [Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social], controle de preços, entre tantos outros. Para Miranda, estas medidas representam uma “inadequação à política econômica brasileira”.

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“Eu não tenho dúvida de que a Dilma vai dobrar a aposta”, afirma o analistas, destacando que ela, de alguma forma, “demonizou o mercado financeiro” e a relação dos bancos e do capital com as pessoas que, segundo ela, “tiraria a comida da mesa dos mais pobres”. 

Para Miranda, no princípio pode ser que, com a indicação de novos ministros, a presidente sinalize que fará um ajuste fiscal. Porém, o custo dele será muito grande dada a desconfiança já existente no mercado. Além disso, pelo viés ideológico, a matriz econômica da presidente aceita que haja uma inflação “um pouco maior” e coloca a ortodoxia econômica como se fosse problemática do ponto de vista das políticas sociais, além do seu viés centralizador. 

Sobre as perspectivas para a economia, o analista ressalta que já um aumento de desemprego constatado, mas que ele ainda não atinge patamares maiores porque um segmento da população passou a parar de procurar trabalho, seja por estar estudando, ou por fazer parte da geração “nem-nem” (nem trabalha, nem estuda). Para ele, o problema de diagnóstico de Dilma é ver a questão como falta de demanda, sendo que a questão é a falta de oferta, o que a faz tentar estimular ainda mais o consumo. 

Na perspectiva fiscal, o analista da Empiricus avalia que ela fará algumas “mudanças para inglês ver”, mas que não haverá alterações significativas nos ajustes.

Estas receitas, afirma, levará a uma combinação de recessão, déficit em conta corrente e déficit público; o cenário deve piorar tendo como questão ainda a fuga de capitais com os maiores juros norte-americanos e queda das cotações de minérios. Com isso, para o final de 2014, o analista vê a Bolsa em 39.000 pontos e o dólar a R$ 3.

E a sinalização de um novo ministro deve ter efeito, mas limitado. “Neste momento em que a Bolsa está caindo, esperam-se ‘mentiras sinceras’. Se anunciar alguém com indicações mais pró-mercado, como Nelson Barbosa, a Bovespa terá fôlego por um tempo, mas depois voltará a cair”, diz Miranda, sinalizando que Dilma continuará centralizando as suas decisões. Isso particularmente agora, quando ela conseguiu um segundo mandato e terá mais forças e autonomia, enquanto em 2010 ela foi catapultada pelo Lula. “Se ela já não seguia o Lula quando foi lançada por ele, imagina agora?”

Para os próximos a expectativa é de crescimento baixo, mas com alguma espera de alta dependendo das condições internacionais e da relativamente baixa base de comparação da atividade com a economia nos períodos anteriores. 

Segundo Miranda, guardadas as devidas proporções, o Brasil deve ter relações ainda maiores com a Venezuela e com a Argentina. Porém, vale destacar, a nação possuía instituições muito mais fortes do que a dos nossos vizinhos.