Política

“Não respeito um delator” diz Dilma sobre as denúncias de Ricardo Pessoa

Quando questionada sobre tomar providências em relação às denúncias, a presidente disse que caso seja citada nominalmente, ela poderá processá-lo

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SÃO PAULO – Em visita aos Estados Unidos, a presidente Dilma Rousseff (PT) declarou que não tem respeito por delatores. Durante entrevista coletiva a repórteres em Nova York, a presidente afirmou que os R$ 7,5 milhões que recebeu da empresa de Ricardo Pessoa, a UTC Engenharia, foram repassados legalmente à sua campanha a presidência no ano passado. A presidente ressaltou que a UTC Engenharia também doou valores semelhantes a Aécio Neves, seu adversário no segundo turno das eleições no ano passado. 

Segundo a imprensa, Dilma se reuniu com investidores norte-americanos em Nova York e depois da reunião falou a repórteres sobre a delação de Pessoa: “Eu não respeito um delator, até porque eu estive presa na ditadura e sei o que é. Tentaram me transformar em delatora, a ditadura fazia isso com as pessoas. Eu garanto para vocês: eu resisti bravamente e até em alguns momentos fui mal interpretada quando disse que, em tortura, a gente tem de resistir porque, senão, você entrega. Não respeito nenhum, nenhuma fala”. Apesar das críticas ao delator, Dilma afirmou que a Justiça, o Ministério Público e a Polícia Federal devem investigar as acusações. “Tudo, sem exceção”, ressaltou. 

Quando questionada sobre tomar providências em relação às denúncias, a presidente disse que caso seja citada nominalmente, ela poderá processá-lo. Quanto aos ministros mencionados na delação, afirmou que eles devem decidir o que fazer. Ricardo Pessoa fez referência ao chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e ao secretário de Comunicação Social, Edinho Silva, que foi Tesoureiro da campanha de Dilma à reeleição.

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Edinho Silva, tesoureiro na campanha de reeleição da presidente, disse em entrevista que a empresa de Pessoa doou R$ 7,5 milhões à campanha de Dilma em 2014. Silva criticou o chamado “vazamento seletivo” na delação de Pessoa e disse que pediria ao STF (Supremo Tribunal Federal) para ter acesso aos depoimentos do empresário. “Então, me causa indignação que meu nome tenha sido envolvido em uma delação premiada. Me causa indignação o vazamento seletivo desta delação e me causa indignação a tese de criminalização das doações à nossa campanha”, reclamou o tesoureiro na entrevista do último sábado.