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“Não podemos continuar pedalando: precisamos de projeto de nação”, diz ministro do TCU

Para Nardes, o governo deve explicações sobre as irregularidades encontradas pelo TCU. "Afinal, somos nós que pagamos os impostos", argumentou

SÃO PAULO – Há sérias distorções na prática política no Brasil. Em apresentação feita nesta segunda-feira (31) para evento organizado pela revista Exame, o ministro do Tribunal de Contas da União Augusto Nardes criticou o abandono da população pelas demandas do sistema de coalizão. “Partidos tomam conta dos ministérios e a sociedade muitas vezes não é priorizada. A entrega de produtos para a sociedade é muito baixa”, afirmou. Para ele, descaso semelhante foi visto nas contas públicas do governo. Nardes é relator do processo que analisa o balanço da gestão da presidente Dilma Rousseff referente a 2014, ano eleitoral.

“Além de ver as pedaladas procurei mostrar [ao governo] que nossa competitividade está baixa”, diz Nardes. “O que precisamos é de um projeto de nação. Para isso, precisamos incorporar as instituições de forma permanente”, complementou. O ministro do TCU encontrou uma série de irregularidades nas contas do governo, que teve de prestar esclarecimentos ao Tribunal. O processo ainda não foi concluído e os ministros ainda deverão votar pela recomendação de aprovação o recusa do balanço. Apesar de o nome remeter a uma instituição do poder Judiciário, o TCU é um órgão a serviço do Legislativo e não tem poder de julgamento.

As contas referentes ao ano passado serão avaliadas nas próximas semanas. Para Nardes, o governo deve explicações sobre as irregularidades encontradas pelo TCU. “Afinal, somos nós que pagamos os impostos”, argumentou. O ministro viu como positiva a iniciativa de o governo optar pela transparência incômoda na apresentação do projeto de lei que guiará o Orçamento de 2016 ao Congresso, no qual apresentará déficit. “É positivo que se mostre a realidade. Nós não podemos continuar pedalando. A Grécia teve a Europa para se salvar. O Brasil tem condições de sair da crise. Cada instituição tem uma parte nisso. A minha é mostrar a realidade das contas”, disse.

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O ministro comparou ainda a situação do Brasil com aquela dramática enfrentada pelo Rio Grande do Sul. “Lá não tem como pedalar mais. E se não fizermos alguma coisa no Brasil, a bicicleta também pode quebrar”, analisou Augusto Nardes.