Na Argentina

“Não penso em voltar à política porque o grande presidente para o Brasil é Lula”, diz Dilma

"Seria uma ingenuidade achar que ele vai renunciar", alertou Dilma ao comentar os rumores de que o atual governo estaria ficando insustentável

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SÃO PAULO – A ex-presidente Dilma Rousseff foi à Argentina nesta semana para participar da conferência Democracia, Direitos e Justiça Social e receber uma condecoração. A visita foi uma espécie de retribuição à vinda a São Paulo da ex-presidente Cristina Kirchner no início do mês. Apesar de ter uma agenda apertada no país, a petista teve chance de conversar brevemente com a imprensa local.

“Não penso em voltar à política”, disse a ex-presidente, “porque o grande presidente para o Brasil é Lula”. Ela ainda afirmou que a América do Sul vive “um longo processo de golpes de Estado” e aproveitou para criticar o atual presidente Michel Temer. “Seria uma ingenuidade achar que ele vai renunciar”, alertou Dilma ao comentar os rumores de que o atual governo estaria ficando insustentável. “Ninguém dá um golpe ilegal, doloroso e rasgando a Constituição para depois renunciar”, atacou a petista.

Ela ainda comentou sobre uma possível chance de ocorrerem eleições indiretas em 2017 caso Temer seja cassado. Para Dilma, isso “seria um golpe dentro do golpe”, comparando a atual situação regional com o cenário político que o Brasil enfrentou quando um golpe militar derrubou João Goulart, em 1964. “Também agora estamos vendo um longo processo de golpes”, completou.

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Dilma também falou sobre o atual governo argentino do presidente Mauricio Macri, a quem ela atribuiu a liderança de uma guinada neoliberal na região. “Eu acredito que ele tenha uma característica: propõe um Estado mínimo, a desregulação, radicaliza o neoliberalismo que foi implantado antes do período Kirchner, e acredito que aqui irão crescer a desigualdade e a perda de direitos, o que é muito grave e muito similar ao que ocorre no Brasil”, disse.