Pandemia

“Do ponto de vista do governo, não existe prorrogação de auxílio emergencial”, diz Guedes

Em videoconferência com investidores, ministro diz que "a doença cedeu bastante e a economia voltou com muita força"

Paulo Guedes, ministro da Economia (Foto: Edu Andrade/Ascom/ME)

SÃO PAULO – O ministro Paulo Guedes (Economia) afirmou, nesta segunda-feira (23), que o auxílio emergencial não deverá ter uma nova prorrogação e será extinto no fim do ano. Para ele, a pandemia do novo coronavírus perdeu força no País e a atividade econômica tem dado sinais de retomada “com muita força”.

Em videoconferência com investidores, o ministro disse que o benefício, criado para atender trabalhadores informais, microempreendedores individuais, autônomos e desempregados, que ficaram sem renda durante a crise sanitária, e beneficiários de programas sociais, como o Bolsa Família, poderia ter tido duração de até um ano se o valor das parcelas pagas fosse de R$ 200, conforme propôs o governo.

Quando aprovado pelo Congresso Nacional, o programa teve o valor das parcelas fixado em R$ 600, com anuência do próprio presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O benefício, com duração inicial prevista em três parcelas, sofreu duas prorrogações, sendo que na última (setembro), o valor foi reduzido pela metade.

“Os fatos são que a doença cedeu bastante e a economia voltou com muita força. Do ponto de vista do governo, não existe prorrogação de auxílio emergencial”, afirmou o ministro.

Segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa com base nos dados oferecidos pelas secretarias estaduais de Saúde, o Brasil atingiu, no último domingo (22), uma média móvel de 484 mortes por covid-19 por dia e dez estados registraram alta.

Durante o encontro virtual, Guedes reconheceu a pressão política por uma nova prorrogação do auxílio emergencial, mas afirmou que o governo atuará com “evidências empíricas”.

“Evidente que há muita pressão política para isso acontecer. É evidente que tem muita gente falando em segunda onda, etc. e nós estamos preparados para reagir a qualquer evidência empírica. Se houver uma evidência empírica, o Brasil tiver de novo mil mortes, tiver uma segunda onda efetivamente, nós já sabemos como reagir, já sabemos os programas que funcionaram melhor”, disse.

O auxílio emergencial foi a medida mais cara lançada no pacote de enfrentamento à covid-19. Considerando as nove parcelas do benefício, o impacto fiscal é estimado em R$ 322 bilhões.