Copa do Mundo

Não é só no Brasil: Copa do Mundo pode salvar popularidade de Cristina Kirchner

Faltando um ano para as eleições na Argentina, vitória dos hermanos pode trazer euforia e ajudar atual presidente no cenário de crise pelo qual o país passa

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SÃO PAULO – No Brasil, muitas pessoas já destacaram o poder que a Copa do Mundo pode ter sobre as eleições e sobre a popularidade de Dilma Rousseff. Para alguns especialistas, a vitória da seleção brasileira pode até decidir as eleições em favor da atual presidente. Mas não é apenas por aqui que o mundial é importante politicamente. Na Argentina o efeito da vitória dos “hermanos” pode ser ainda mais forte para o governo.

Com uma crise no país que já dura anos, a presidente Cristina Kirchner pode aproveitar uma possível vitória de sua seleção para amenizar o cenário conturbado por lá. Em entrevista para o canal ESPN, o jornalista Edgardo Martolio, autor do livro “Glória Roubada – O outro lado das Copas”, afirmou que mesmo que o efeito seja menor que no Brasil, uma vitória da Argentina na Copa do Mundo deve ser utilizado pelo governo.

“Vai ajudar [politicamente caso a Argentina vença a Copa]. Não tanto quanto penso que pode ajudar ou prejudicar a Dilma se o Brasil ganha ou perde aqui, mas vai ajudar um pouco mais a Cristina”, afirmou o jornalista. “As eleições são em outubro de 2015, e ainda há um ano para a euforia se apagar. Mas o uso político que a Argentina está dando para a Copa é enorme”, completa.

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Em seu livro, Martolio destaca que na Copa do Mundo de 1978, na Argentina, o governo teria manipulado o resultado e feito “jogadas estratégicas” para conseguir eliminar o Brasil e se sagrar campeã no confronto com a Holanda na final.

Risco de calote
Na última semana, a agência Standard & Poor’s colocou o rating da dívida em moeda estrangeira da Argentina em observação negativa, citando a possibilidade de default no pagamento de juros. Em comunicado, a S&P disse que a revisão reflete a visão de que a probabilidade é de pelo menos um para dois que a Argentina não fará o pagamento pendente de US$ 539 milhões em juros.

Por outro lado, a S&P disse que se a Argentina chegar a um acordo com os detentores de bônus que não participaram da reestruturação da dívida, os chamados ‘holdouts’, e se pagar os juros no período de tolerância, poderá retirar o rating da observação negativa.

No dia 31 de julho, a Argentina descumpriu um pagamento de bônus, colocando o país à beira de seu segundo default em 13 anos, depois que um tribunal dos EUA impediu que o dinheiro fosse distribuído antes que o governo chegasse a um acordo com os credores da moratória anterior. Com isso, o país tem um período de tolerância de 30 dias para buscar um acordo com o grupo de detentores de bônus e evitar um default de seus US$ 28,7 bilhões em bônus globais em dólar.

Em 16 de junho, a Corte Suprema dos EUA deixou intacta uma decisão que exige que a Argentina pague cerca de US$ 1,5 bilhão a detentores de dívidas não quitadas ao mesmo tempo que efetua os pagamentos dos bônus reestruturados. Na semana passada, a Argentina transferiu fundos para seu administrador de bônus para quitar as notas reestruturadas, mas o juiz Thomas Griesa, da Corte Distrital dos EUA, ordenou que o pagamento fosse devolvido enquanto as partes negociam.

A Argentina publicou um anúncio de página inteira em uma edição do New York Times dizendo que Griesa favoreceu os credores holdout e que ele estava tentando levar o país a um default. A decisão “é apenas uma forma sofisticada de tentar nos colocar de joelhos diante de agiotas internacionais”, disse a Argentina. “Mas ele não alcançará esse objetivo por uma razão muito simples: a República Argentina cumprirá suas obrigações, quitará suas dívidas e honrará seus compromissos”.

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