Cenário

Não é só a Rússia que preocupa nos BRICs: o Brasil também, diz CNBC

Portal americano destacou que os protestos no Brasil mostram que não é só a Rússia cujo progresso está saindo dramaticamente do rumo

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SÃO PAULO – As manifestações populares em todo o Brasil contra a corrupção e a desaceleração do crescimento econômico mostra que a Rússia não é a única nação que pertence aos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) cujo progresso está saindo dramaticamente do rumo.

Esta é avaliação do portal CNBC, que destaca os protestos realizados no último domingo e cita que as estimativas dos protestos variaram amplamente, entre 200 mil a 2 milhões em diversas cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro, além do Distrito Federal.

A CNBC destacou que muitos manifestantes pediram o impeachment da presidente Dilma Rousseff, que está envolvida em um enorme escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras, uma das maiores empresas de petróleo do mundo e um dos alicerces da economia brasileira apoiada pelo Estado. O portal ressalta que os brasileiros estão menos tolerantes em relação aos políticos, particularmente no âmbito de uma líder que tem levado a queda da taxa de crescimento e não conseguiu frear a inflação.

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E, embora Dilma não seja alvo de investigação pelo Procurador Geral da República, a maior parte do suposto esquema de corrupção ocorreu quando ela foi presidente do conselho de administração da Petrobras. E seus adversários políticos questionam como ela permaneceu tanto tempo lá sem saber do esquema enquanto ela era presidente do Conselho.

Em reação aos protestos, o PT anunciou um pacote anti-corrupção e de impunidade que em breve seria revelado. “Por razões óbvias, não espera-se muito do pacote – ele provavelmente vai ser mais uma campanha de relações públicas do que uma reforma significativa”, disse a equipe de pesquisa do banco BBH, liderada por Marc Chandler.

Além disso, o portal destaca que, embora Dilma seja vista como uma política de reputação “limpa”, sua popularidade também foi atingida pelo mau desempenho econômico.

“O crescimento econômico abrandou acentuadamente durante seu tempo no comando e não está claro se ela vai avançar com as medidas de apertos fiscal e monetário vistos como necessárias para estabilizar o sentimento econômico e de inflação alta”, afirma a CNBC, fazendo com que o PIB passasse de alta de 7,5% em 2010 para 0,1% em 2014, enquanto a inflação subiu de 5,9% para 6,4% no mesmo período.

“O plano é, provavelmente, seguir o ciclo político habitual: apertar nos próximos anos, para criar espaço para uma flexibilização monetária antes das próximas eleições em 2018”. No entanto, afirma Chandler, não está claro como o governo levará este aperto monetário, uma vez que ele começa a ser sentido realmente pela população e é agravado pelo aumento da inflação e moeda doméstica muito mais fraca.

Em alguns aspectos, Dilma tem sido azarada, afirma a CNBC, uma vez que assumiu o cargo pouco antes do término do boom das commodities e, junto com ele, o fim do crescimento baseado no consumo rápido do Brasil.

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No entanto, ela também foi acusada de expandir excessivamente o setor público e de interferência crescente nos negócios.

Além disso, o elevado déficit de conta corrente do Brasil deixou-o vulnerável como a Rússia ao aperto da política monetária do Federal Reserve, que alguns pensam que poderá ocorrer já em junho.

Até agora este ano, o real brasileiro caiu cerca de 20%em relação ao dólar, deixando a moeda no seu patamar mais baixo em mais de 10 anos. Em comparação, o rublo russo caiu em cerca de 7%. Enquanto isso, o Ibovespa está volátil. Com isso, Chandler destaca: “vemos os ativos brasileiros tendo um desempenho abaixo da média do mercado dentro do universo dos mercados emergentes”, disse Chandler.