Palavra do líder

“Não confio nos EUA”, diz Fidel sobre reaproximação de Cuba – mas defende diálogo

Não confio na política dos Estados Unidos, nem troquei uma palavra com eles, sem que isso signifique, nem muito menos, uma rejeição a uma solução pacífica dos conflitos ou perigos de guerra"

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SÃO PAULO – Em carta, o líder cubano Fidel Castro, de 88 anos, quebrou o silêncio e disse nesta segunda-feira (26) que não confia nos EUA e que não conversou com Washington, ao comentar a histórica aproximação anunciada por seu irmão e sucessor Raúl Castro e pelo presidente Barack Obama no final do ano passado. Contudo, ele defendeu o diálogo entre os dois líderes políticos. 

A carta foi dirigida à Federação Estudantil Universitária e lida por líderes do movimento nesta segunda na TV estatal cubana. “Não confio na política dos Estados Unidos, nem troquei uma palavra com eles, sem que isso signifique, nem muito menos, uma rejeição a uma solução pacífica dos conflitos ou perigos de guerra”.

Mas defendeu o diálogo: “o presidente de Cuba tomou as medidas apropriadas de acordo com as suas prerrogativas e poderes conferidos pela Assembleia Nacional e do Partido Comunista de Cuba”, afirmou. “Defenderemos sempre a cooperação e a amizade com todos os povos do mundo e, entre eles, os nossos adversários políticos”.

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Fidel também afirma que o primeiro gesto de aproximação foi feito no velório do líder sul-africano Nelson Mandela, em dezembro de 2013, em que Raúl Castro e Obama se cumprimentaram, marcando uma trégua entre os dois países. 

No texto, Fidel ainda fala sobre outros assuntos, passando desde a Grécia Antiga à incursão militar cubana na África, nas décadas de 1970 e 1980, finalizando os comentários com a aproximação com os EUA. 

 O anúncio do “descongelamento” das relações diplomáticas – termo técnico usado na diplomacia – entre os Estados Unidos e Cuba, 53 anos depois do rompimento das relações entre os dois países, é o primeiro passo para o fim do embargo econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos desde 1962. Na estimativa do governo cubano, mais de meio século de embargo provocaram a perda de aproximadamente US$ 1,1 trilhão.