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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu nesta terça-feira (23) a 80ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York, com um discurso duro contra a guerra na Faixa de Gaza e críticas às potências que, segundo ele, sustentam a escalada do conflito.
“Nada, absolutamente nada, justifica o genocídio em curso em Gaza. Ali, sob toneladas de escombros, estão enterradas dezenas de milhares de mulheres e crianças inocentes. Ali também estão sepultados o direito internacional humanitário e o mito da superioridade ética do Ocidente”, disse Lula, sob aplausos dos presentes.

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O petista afirmou que práticas condenadas pelo direito internacional têm sido aplicadas de forma recorrente no território palestino. “Em Gaza, a fome é usada como arma de guerra e o deslocamento forçado de populações é praticado impunemente”, afirmou.
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O presidente também citou a escalada regional do conflito, com reflexos no Líbano, Síria, Irã e Catar, o que, segundo ele, fomenta uma “corrida armamentista sem precedentes”.
Apoio a um Estado palestino
Lula reiterou que a sobrevivência do povo palestino depende da criação de um Estado independente. “O povo palestino corre o risco de desaparecer. Só sobreviverá como um Estado independente integrado à comunidade internacional. Essa é a solução defendida por mais de 150 membros da ONU, reafirmada ontem aqui, mas obstruída por um único veto”, disse, em referência aos Estados Unidos, sem citá-los nominalmente.
O presidente ainda manifestou solidariedade ao líder palestino Mahmoud Abbas, impedido de participar presencialmente da Assembleia Geral.
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“É lamentável que o presidente Mahmoud Abbas tenha sido impedido pelo país anfitrião de ocupar a bancada da Palestina nesse momento histórico”, afirmou, sendo novamente aplaudido.
Equilíbrio nas críticas
Lula também condenou os ataques do Hamas. “Os atentados terroristas perpetrados pelo Hamas são indefensáveis sob qualquer ângulo”, ressaltou. Ao mesmo tempo, destacou que a resposta israelense não pode ser justificada.
“Esse massacre não aconteceria sem a cumplicidade dos que poderiam evitá-lo”, disse.
Em tom crítico, o presidente afirmou que o conflito expôs a fragilidade da ordem internacional e a seletividade das potências ocidentais. “Quero expressar minha admiração aos judeus que, dentro e fora de Israel, se opõem a essa punição coletiva”, afirmou.