Análise

“Na prática, só Lula e Bolsonaro têm voto hoje”, diz cientista político

Apesar da proximidade temporal da corrida presidencial, ainda há uma distância política considerável para o primeiro turno das eleições

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SÃO PAULO – A menos de seis meses do primeiro turno, as atuais eleições mostram baixa possibilidade de comparação com as últimas corridas presidenciais observadas no Brasil. A pulverização de candidaturas, a dificuldade dos múltiplos nomes em crescer nas pesquisas e o elevado percentual de brancos, nulos e indecisos evidenciam um cenário de grande incerteza.

Para o cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria Integrada, há poucas candidaturas consolidadas nesta etapa da disputa, o que reforça a necessidade de olhar cauteloso sobre levantamentos divulgados.

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“Se olhamos os números das pesquisas espontâneas, na prática, ninguém tem voto hoje. A não ser o ex-presidente Lula e o deputado Jair Bolsonaro, que já aparecem com números acima de dois dígitos, de resto, o eleitorado não é de ninguém. O eleitor ainda não está formando a cabeça do voto, ele reage a uma exposição de nomes. É ao longo da campanha que esta decisão vai acontecer”, observou o analista político.

Rafael Cortez é o responsável pelas análises apresentadas no Mapa Político, relatório semanal já disponível na Loja de Relatórios Infomoney. A iniciativa tem por objetivo oferecer aos leitores uma análise menos perecível à efervescência do noticiário diário e com maior profundidade, capaz de auxiliar em decisões de investimentos que não fiquem reféns do curto prazo. Clique aqui para conhecer.

De acordo com o último levantamento feito pelo instituto Datafolha, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conta com 13% das intenções de voto espontâneas, 4 pontos percentuais a menos que tinha em janeiro deste ano. O líder petista, contudo, não deve ter pedido de registro de candidatura concedido pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para esta disputa, em função da Lei da Ficha Limpa.

Preso desde 7 de abril, Lula foi condenado a 12 anos e 1 mês de prisão por unanimidade pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e teve recurso negado na segunda instância. Com as crescentes chances de o ex-presidente ficar fora do páreo, na prática, hoje o único candidato com votos efetivos seria Bolsonaro.

O deputado federal apareceu no último Datafolha com 11% das intenções de voto espontâneas — quando não são apresentadas opções aos entrevistados. O resultado corresponde a uma oscilação para cima de 1 ponto percentual em comparação com a marca de janeiro. Por outro lado, Bolsonaro enfrentará grandes desafios em função da estrutura partidária inexistente e dos parcos recursos para campanha e tempo de televisão.

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Como diz Richard Back, analista político da XP Investimentos, “pesquisa eleitoral é importante, fala muito, mas não diz o essencial, que é quem vai ganhar a eleição”. Sendo assim, apesar da proximidade temporal com a corrida presidencial, ainda há uma distância política considerável para o primeiro turno — muita coisa está para acontecer a partir de junho.

De qualquer forma, em um ambiente de grandes dificuldades para o governismo e a elevada rejeição aos partidos tradicionais, convém alertar para o crescente risco político ao mercado, que tem como norte a necessidade de o próximo presidente eleito conduzir uma agenda de reformas econômicos, sobretudo enfrentando a questão previdenciária. Para Cortez, independentemente de quem for o escolhido pelos brasileiros para comandar o país pelos próximos quatro anos, vai ser mais difícil do que foi no passado implementar uma agenda fiscal.

“O Poder Legislativo descobriu que pode constranger o presidente. Diante deste cenário, a construção da governabilidade vai ser muito mais difícil do que foi para Fernando Henrique e Lula”, explicou Cortez.  “Nossa perspectiva é de risco político alto [em 2018]. E 2019 também deve ser um ano de bastante volatilidade, porque as reformas vão caminhar de maneira muito complicada”, concluiu.

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