Toma lá, dá cá

MPF investigará se cervejaria que doou para campanha de Dilma recebeu favor do governo

Segundo a revista Época, durante a eleição de 2014, o BNB aceitou, do dia para a noite, mudanças num dos empréstimos à cervejaria, resultando em lucro à Itaipava e maior risco de prejuízo ao banco

SÃO PAULO – O Ministério Público Federal no Ceará abriu na última segunda-feira (26) uma investigação para descobrir se houve irregularidades em dois empréstimos de quase R$ 830 milhões concedidos pelo BNB (Banco do Nordeste) à Cervejaria Itaipava.

Segundo a revista Época, durante a eleição de 2014, o BNB aceitou, do dia para a noite, mudanças num dos empréstimos à cervejaria, resultando em lucro à Itaipava e maior risco de prejuízo ao banco. O banco teria dispensado a empresa de uma fiança que funcionaria como garantia do empréstimo. 

Como medida complementar, o procurador da República Edmac Trigueiro pediu à Polícia Federal para abrir inquérito a fim de apurar se houve crime de gestão fraudulenta por parte dos dirigentes do BNB, indicados pelo PT.

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E, dias após ser favorecida com a decisão do BNB, a Cervejaria Petropólis, dona da Itaipava, doou R$ 17,5 milhões à campanha de Dilma. 

O procurador da República Oscar Costa Filho requisitou à diretoria do BNB informações e documentos relativos às operações envolvendo as empresas. Já o PSDB informou que pedirá ao Ministério Público Federal e ao Tribunal de Contas da União que investiguem a liberação da carta-fiança exigida da Cervejaria Itaipava. 

Já o Grupo Petropólis disse à revista Época que a dispensa da fiança, procedimento normal, gerou economia para a empresa, mas não disse quanto. Afirmou ainda que a fiança foi substituída por outras garantias com “valores até maiores” e que todas as doações à campanha da presidente Dilma cumpriram as regras eleitorais.