Manifestação no Paraná

MP do Paraná apurará excesso na repressão; governador culpa “black blocs” por confronto

Pelo menos 170 manifestantes, na maioria professores, ficaram feridos no confronto com policiais militares em Curitiba na tarde de ontem em frente à Assembleia Legislativa do Paraná, no Centro Cívico

SÃO PAULO – O procurador-geral de Justiça, Gilberto Giacoia, determinou a instauração de procedimento destinado a apurar responsabilidades por eventual excesso na repressão das manifestações públicas ocorridas nesta quarta-feira (29), nas imediações da Assembleia Legislativa do Paraná.

Pelo menos 170 manifestantes, na maioria professores, ficaram feridos no confronto com policiais militares em Curitiba na tarde de ontem em frente à Assembleia Legislativa do Paraná, no Centro Cívico. Eles receberam os primeiros socorros no prédio da prefeitura da cidade e na sede do Tribunal de Justiça, que ficam nas proximidades do local. Desses, pelo menos 45 foram levados para unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) e hospitais da região.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Paraná, 20 policiais ficaram feridos. Os professores, em greve desde segunda-feira (27), protestavam contra um projeto de lei que altera a Previdência estadual.  O projeto foi aprovado no início da noite, em segundo turno, pela Assembleia Legislativa.

PUBLICIDADE

O MP-PR já havia expedido Recomendação ao Governo do Estado, à Secretaria de Segurança Pública e ao Comando-Geral da Polícia Militar no sentido de que a intervenção policial se limitasse a garantir a segurança dos manifestantes, excetuada a contenção de eventuais infrações penais.

Para conduzir as investigações, o procurador-geral designou os promotores de Justiça Paulo Sérgio Markowicz de Lima e Maurício Cirino dos Santos, que estarão, já a partir desta quinta-feira (30), na sede da PGJ, em Curitiba (Rua Marechal Hermes, 751, Centro Cívico), colhendo informações, depoimentos, laudos e documentos, bem como recebendo registros de imagem (fotos e vídeos) sobre o ocorrido.

Em nota oficial, o governo do Paraná, comandado por Beto Richa (PSDB)  afirmou “lamentar profundamente os atos de confronto, agressão e vandalismo provocados por manifestantes estranhos ao movimento dos servidores estaduais que estavam concentrados em frente à Assembleia Legislativa”. De acordo com o governo, a investigação sobre os atos protagonizados por pessoas ligadas ao movimento black-bloc já está em curso, sob responsabilidade da Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária.

O radicalismo e a irracionalidade de pessoas mascaradas e armadas com pedras, bombas de artifício, paus e barras de ferro, utilizados contra os policiais, são responsáveis diretos pelo confronto que se instalou na Praça Nossa Senhora de Salete. Lamentavelmente, policiais e manifestantes saíram feridos”, afirmou o governo.