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O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou 20 pessoas por falsificação de bebidas em um galpão na cidade de Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo.
A Justiça aceitou formalmente a denúncia e determinou a realização de perícia para verificar se as garrafas apreendidas contêm traços de metanol, substância altamente tóxica e associada ao aumento recente de casos de intoxicação no estado.
Segundo a denúncia, o grupo foi flagrado no dia 23 de setembro trocando rótulos e tampas de cervejas de baixo custo para que se passassem por marcas conhecidas.

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No local, os agentes encontraram garrafas cheias e vazias, prensas manuais, impressoras, empilhadeiras e rótulos de diversas marcas, indícios de uma operação de falsificação em larga escala.
Risco sanitário
A Justiça determinou, a pedido do MP-SP, que a bebida apreendida passe por análises laboratoriais para verificar se há indícios de contaminação por metanol.
A medida ocorre em meio à crise nacional de bebidas adulteradas, que já provocou duas mortes confirmadas (em São Paulo e na Bahia) e quase 60 casos de intoxicação em todo o país, segundo o Ministério da Saúde.
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Os acusados negam a manipulação do líquido e afirmam que se tratava apenas de troca de rótulos e tampas, sem alteração do conteúdo original. As defesas argumentam que as bebidas eram próprias para consumo e que pode ter havido erro na interpretação da denúncia.
O caso ocorre em meio a uma série de operações de fiscalização da Polícia Civil e da Vigilância Sanitária em São Paulo. Desde o início de setembro, mais de mil garrafas foram apreendidas e enviadas ao Instituto de Criminalística, que já confirmou traços de metanol em algumas amostras.
Na última semana, o governo paulista anunciou o reforço no estoque do antídoto à base de etanol absoluto e a criação de uma sala de situação nacional pelo Ministério da Saúde para monitorar os casos de intoxicação.