Entrevista

Moro diz à IstoÉ que Lula tem “fantasia de perseguição” e vai liberar porte de arma em casa

Juiz comentou acusações de motivação política no caso do ex-presidente e ressaltou que não será candidato à presidente

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SÃO PAULO – Em sua primeira entrevista para um veículo impresso após ser escolhido ministro da Justiça, o juiz Sérgio Moro afirmou para a revista IstoÉ que Lula vive uma “fantasia de perseguição política” e reforçou que pedirá a demissão de integrantes do governo investigados. Ele também comentou sobre as operações policiais e liberação do porte de arma.

Segundo o magistrado, uma de suas primeiras medidas será a apresentação de um plano de combate à corrupção já em fevereiro. “Em matéria de crime organizado quero proibir o condenado de poder progredir de regime de cumprimento de pena se houver vínculo com organizações criminosas”, afirmou.

Além disso, ele destacou que, no caso de anticorrupção, quer tratar da execução da pena a partir da condenação em segunda instância, algo que já é previsto mas que deveria ser mais claro na legislação, segundo Moro.

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Sobre casos de corrupção dentro do governo, o juiz garantiu que ninguém será protegido. “Identificado os casos de corrupção no governo, ninguém será protegido. Esse é um compromisso meu. Não vou assumir um cargo desses para proteger alguém”, afirma, destacando que se houver provas de que alguém está “locupletando do governo”, vai pedir que o presidente demita essa pessoa.

Prisão de Lula
Questionado sobre a acusação do PT de motivação política de Moro na condenação do ex-presidente Lula, ele afirmou que foi uma decisão tomada em 2017 e que está bem fundamentada.

“As provas indicam que Lula é o mentor desse esquema criminoso que vitimou a Petrobras. E nós não tratamos apenas de um tríplex. Nós falamos de um rombo estimado de R$ 6 bilhões. O tríplex é a ponta do iceberg”, disse.

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Para Moro, “o que existe é um álibi de Lula, baseado numa fantasia de perseguição política” e que analisando a Operação Lava Jato é possível ver que prisões e condenações ocorreram tanto contra o PT como com partidos adversários da sigla, o que indica que não há perseguição.

Operações da polícia e porte de arma
Em outro ponto importante da entrevista, Moro refuta Bolsonaro, que afirmou que se em uma operação policial no morro morrerem 20 bandidos não será problema. “Não existe isso. Às vezes essa questão é mal colocada”, afirma.

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“O trabalho de enfrentamento das organizações criminosas é baseado em inteligência, investigação, prisão dos líderes, isolamento dos líderes e confisco de seus bens para desmantelar essas facções”, explica o juiz. “Podem surgir incidentes, como óbitos, mas isso tem que ser evitado ao máximo, porque o risco de danos colaterais é muito grande. A situação ideal não é o criminoso morto. A situação ideal é o bandido preso”, completa.

Moro ainda defendeu a redução da maioridade penal para 16 anos, mas apenas em casos de crimes graves, que segundo ele seriam os crimes “com resultado de morte ou lesão corporal gravíssima, crimes de sangue”.

Já para o porte de arma, o futuro ministro diz que as falas de Bolsonaro são “questão de plataforma eleitoral” e que a proposta seria de porte apenas em casa. “Havia uma política restritiva para a pessoa obter uma arma para guardar em casa e a promessa eleitoral é que isso seria flexibilizado”, explica.

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“A meu ver isso tem que ser cumprido, já que foi parte de uma promessa eleitoral. Mas é algo bem diferente de autorizar as pessoas a saírem armadas nas ruas”, diz o juiz ressaltando que não haverá porte para armas automáticas, como fuzis. “É uma situação diferente da que acontece nos Estados Unidos”, afirma.

Por fim, Moro se esquivou sobre uma pergunta envolvendo uma indicação para o STF (Supremo Tribunal Federal) e ressaltou que não será candidato à presidência em 2022. “Eu não tenho nenhuma pretensão de participar de campanhas eleitorais, de subir em palanque”, conclui.