Delações agitam política

Moro bloqueia casa de R$ 8,6 mi de Odebrecht; Duque diz que implicará Lula, Dilma e o PT e mais

Delações ganharam destaque no final de semana; Janot suspende delação de ex-presidente e executivos da OAS após vazamento, enquanto executivos da Odebrecht relatam propina de R$ 100 mi ao PT por intermédio de Guido Mantega

SÃO PAULO – Enquanto os olhos do Brasil se voltaram para o fim dos Jogos Olimpícos Rio-2016, o noticiário político seguiu movimentado entre o fim de semana e o início desta segunda-feira (22), com destaque para novas revelações de delações premiadas. 

O jornal O Estado de S. Paulo destacou que, ao longo dos últimos meses, por ordem do juiz federal Sérgio Moro e a pedido da força-tarefa da Lava Jato, o empreiteiro Marcelo Odebrecht teve cerca de R$ 24 milhões bloqueados em bens, entre eles uma casa de R$ 8,6 milhões em São Paulo. O pedido de confisco foi feito pelo Ministério Público Federal em novembro de 2015 e a decisão do juiz saiu em abril de 2016.

Além da casa de Odebrecht, também foram confiscados sete carros da família avaliados em R$ 688 mil, além de R$ 14,5 milhões em saldo de conta, ações e aplicações bancárias. Procurada pela reportagem, a Odebrecht não se manifestou sobre o assunto.

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Destaque ainda para o desenrolar de novas delações premiadas. O jornal O Globo informou que a Procuradoria Geral da República determinou a suspensão das negociações do acordo de delação premiada do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, e de outros executivos da empreiteira após o vazamento de um dos assuntos tratados na fase pré-acordo. 

Na edição da última semana da Veja, foi revelado que o nome do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, foi citado nas negociações de delação premiada do empreiteiro José Adelmário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, da OAS. Pinheiro relatou que engenheiros da OAS fizeram uma vistoria na residência de Toffoli, em área nobre de Brasília, após o ministro se queixar de problemas de infiltração na casa.  

Após o episódio, Toffoli teria contratado uma empresa indicada por Léo Pinheiro para fazer a reforma necessária. O empresário disse que a obra de impermeabilização foi custeada pelo próprio ministro do STF. A defesa de Léo Pinheiro propõe na negociação do acordo, diz a Veja, um capítulo apenas sobre o ministro do Supremo. No caso da citação a Toffoli, os investigadores ainda não verificaram a indicação de crime. O ministro do STF alega não ter qualquer tipo de relação de intimidade com Léo Pinheiro e argumenta que custeou, ele próprio, a obra realizada em sua casa. 

Ainda no campo das delações, segundo o Estadão, o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato de Souza Duque, condenado na Operação Lava Jato há mais de 50 anos de prisão como braço do PT no esquema de propinas na Petrobras, retomou as negociações para um acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal. O jornal aponta que suas revelações envolvem o partido, a presidente afastada Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

O jornal aponta que Lula é um dos pontos centrais das negociações e, além de confirmar que o ex-presidente sabia do esquema, Duque teria provas documentais para apresentar. Se for aceita, a colaboração do ex-diretor  pode ser a primeira a ligar diretamente Dilma ao esquema.

Por fim, neste final de semana o jornal O Globo destacou que executivos da Odebrecht relataram R$ 100 milhões em propina ao PT em acordo de delação premiada. As negociações teriam sido intermediadas pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Os repasses teriam sido realizados por meio do Setor de Operações Estruturadas da holding, chamado pelo MPF de “escritório de lavagem e pagamento de propina”. De acordo com o relato dos executivos, a maior parte dos pagamentos teria sido feita em troca de benefícios obtidos nos últimos anos graças a projetos como a desoneração da folha de pagamentos e a redução de imposto de renda sobre o lucro de empresas brasileiras no exterior. 

O advogado de Mantega, José Roberto Batochio, disse que ele repele e rechaça com veemência a imputação feita ao o cliente dele.