Após sorteio

Moraes será novo relator de inquérito no STF sobre suposta interferência de Bolsonaro na PF

Caso era conduzido pelo ministro Celso de Mello, que se aposentou da corte este mês, e poderia ser herdado por indicado pelo presidente

Aprenda a investir na bolsa

BRASÍLIA – O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi sorteado como o novo relator do inquérito que apura se o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tentou interferir no comando da Polícia Federal, de acordo com o sistema de acompanhamento do caso no site da corte.

O caso era conduzido pelo ministro Celso de Mello, que se aposentou da corte este mês.

Mais cedo nesta terça, o presidente do STF, Luiz Fux, havia determinado a redistribuição eletrônica do caso após pedido feito pela defesa do ex-ministro da Justiça Sergio Moro, que acusou Bolsonaro de tentar interferir politicamente no comando da PF.

Aprenda a investir na bolsa

A determinação de Fux ocorreu um dia antes da sabatina do Senado com o indicado por Bolsonaro para a vaga no STF aberta com a aposentadoria de Celso de Mello, o desembargador Kassio Nunes, do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1).

Na prática, com o despacho, Fux impediu que Nunes assumisse a relatoria do caso e toque um inquérito contra quem o indicou para o STF. Pelo regimento interno, o novo ministro herda todo o acervo de casos daquele que se aposentou.

Embates
Alexandre de Moraes já conduz outros dois inquéritos que são sensíveis para Bolsonaro e o entorno do presidente: as investigações sobre atos antidemocráticos e as referentes às fake news contra ministros do STF.

O ministro também foi alvo de duras críticas do próprio presidente e de bolsonaristas após o ministro ter dado uma liminar que suspendeu a nomeação do delegado Alexandre Ramagem para diretor-geral da Polícia Federal no final de abril.

O presidente chegou até a dizer que poderia descumprir decisão do ministro do STF.

O inquérito que investiga suposta interferência do presidente na PF foi aberto no final de abril após declarações de Moro de que Bolsonaro tentou interferir na indicação de cargos para a PF, em episódio que levou o então ministro da Justiça a pedir demissão.

PUBLICIDADE

As investigações do caso estão em sua reta final. O plenário do STF deve decidir em breve se Bolsonaro vai prestar depoimento no caso pessoalmente ou por escrito — até o momento só houve o voto de Celso de Mello, a favor do depoimento presencial.

Após a conclusão das apurações, caberá à Procuradoria-Geral da República decidir se denuncia o presidente, arquiva o caso ou pede novas diligências.