Moraes descartou impedimento para escritório da esposa atender Banco Master, diz nota

Banca afirma que área de compliance consultou Alexandre de Moraes antes da assinatura do contrato de R$ 131 milhões com o Banco Master

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O ministro Alexandre ⁠de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), descartou qualquer impedimento ⁠para que o escritório de advocacia liderado pela sua esposa, Viviane de ‌Barci, firmasse um contrato para prestar consultoria jurídica para o Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, disse o escritório de advocacia em nota divulgada nesta terça-feira.

Segundo a manifestação, ‌o setor de compliance do escritório, em virtude da abrangência do contrato entre Master e a banca de advocacia, solicitou informações a Moraes, ‘na condição de marido da sócia diretora do referido escritório, sobre a eventual existência de impedimentos legais para a contratação nos termos propostos na minuta contratual, tais como ações no STF sobre sua relatoria ou ⁠mesmo ‌participação em julgamentos de interesse do possível cliente’.

‘Diante da inexistência de previsão de atuação ⁠no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados’, ressaltou a nota.

Uma reportagem publicada nesta terça-feira pelo site do jornal Estado de S. Paulo, com base em investigação ​feita pela Polícia Federal, afirmou que Moraes editou o contrato de R$131 milhões do escritório liderado por sua mulher com o Master.

Conforme a PF, metadados do documento ​enviado pelo WhatsApp da esposa do ministro do STF ao banqueiro registraram alterações feitas ao arquivo do contrato. Em março, o escritório da mulher do ministro havia confirmado ter prestado os serviços ao Master.

Procurado por meio da assessoria, Moraes não respondeu de imediato a pedido de comentário.

A investigação sobre o Master no Supremo está sendo ‌conduzida pelo ministro André Mendonça, relator do caso.

Mendonça pede manifestação da PGR

Em outra frente, Mendonça pediu à Procuradoria-Geral da República que se manifeste sobre um documento produzido pela PF em que haveria uma suposta mensagem de Vorcaro a Moraes que mencionaria um questionamento do ⁠banqueiro a Moraes sobre se ​seria possível ‘reverter’ o andamento ​das investigações contra ele junto a ‘Paulo’ e ‘Andrei’, uma referência indireta, respectivamente, ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ⁠ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

O caso ​foi revelado pelo site Metrópoles e reportado por outros veículos de comunicação e confirmado pela Reuters com uma fonte com conhecimento direto do assunto.

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Uma fonte da PGR disse à Reuters nesta ​terça-feira que Gonet não teria o que fazer na ocasião porque o caso estava correndo totalmente na primeira instância, e os procuradores lá têm ​independência funcional. Tanto, ressaltou a ⁠fonte, que Vorcaro foi preso mesmo assim em novembro.

Mendonça deu prazo de cinco dias para que a PGR ⁠se manifeste sobre o caso.

Procurados por meio das assessorias, Moraes, Gonet e Rodrigues não responderam de imediato a pedido de comentário.

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O Banco Master foi liquidado em novembro do ano passado, época em que Vorcaro foi preso pela primeira vez em uma investigação da PF. Solto posteriormente, ele voltou a ser preso preventivamente em março.