Moraes defende punição às big techs que induzirem voto e regulamentação das redes sociais

Presidente do STF disse que empresas de tecnologia faturam com desinformação, fake news e discursos de ódio

Agência Brasil

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, durante coletiva de imprensa no Centro de Divulgação das Eleições durante o primeiro turno do pleito de 2022 (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, defendeu na quinta-feira (1°) punição às big techs (empresas que dominam o mercado de tecnologia) por divulgação de conteúdos falsos que induzem o voto do eleitor e também a regulamentação das redes sociais, serviços de mensagens privadas e inteligência artificial.

Na abertura dos trabalhos da Justiça Eleitoral em 2024, Moraes afirmou que as empresas de tecnologia, proprietárias das plataformas de redes sociais e de serviços de mensagens privadas, faturam financeiramente com a disseminação de desinformação, notícias fraudulentas e discursos de ódio a determinados grupos de eleitores. Por isso, devem ser responsabilizadas por influenciarem o processo de escolha do eleitor.

“Elas devem ser responsáveis por aquilo que ganham frutos econômicos, por aqueles conteúdos em que seus algoritmos impulsionam, indicam, levam aos eleitores e eleitoras”, afirmou.

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O ministro citou outras práticas que também devem ser alvos de penalidades, como manutenção de contas inautênticas, as negativas para pedidos de retirada imediata de conteúdos e contas com discurso de ódio e antidemocráticos, além da falta de alerta sobre o uso de inteligência artificial nos conteúdos.

A opinião de Moraes vai ao encontro da visão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o tema. Na cerimônia de abertura do ano Judiciário no Supremo Tribunal Federal (STF), também na terça, Lula pediu a punição às empresas que permitem prática de crimes em suas plataformas.

Regulamentação das redes sociais
Moraes cobrou ainda regras nacionais para o funcionamento das redes sociais e dos serviços de mensagem privada no país. “Há necessidade de uma regulação geral, por parte do Congresso Nacional, em defesa da democracia. Não é possível mais permitir o direcionamento de discursos falsos, o induzimento de discursos de ódio, a desinformação maciça sem qualquer responsabilidade por parte das chamadas big techs”.

Segundo o ministro, a Corte eleitoral irá regulamentar o tema neste ano, quando serão realizadas eleições municipais em outubro. As resoluções estão sob relatoria da vice-presidente da Corte, Cármen Lúcia. “Não há mais como se admitir que as redes sociais sejam terra de ninguém, terra sem lei, onde não haja responsabilidade”.

Ele anunciou ainda a criação de um grupo, composto por servidores do TSE e agentes da Polícia Federal (PF), para aprimorar o monitoramento e identificar quem divulga conteúdos falsos e de discurso de ódio nas redes sociais.

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