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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou nesta segunda-feira a retomada das visitas do senador Flávio Bolsonaro ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso e condenado por crime de golpe de Estado.
O ministro, no entanto, proibiu encontros com “finalidade político eleitoral” e a divulgação de quaisquer manifestos ou declarações do ex-chefe do Executivo sobre as eleições, inclusive por intermédio de terceiros.
A decisão foi assinada após se encerrar, neste domingo, o prazo de 90 dias das restrições impostas ao ex-presidente em razão do descumprimento de medidas cautelares, em julho.
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As regras mais duras foram impostas após Bolsonaro escrever uma carta em defesa da candidatura presidencial de seu filho, violando medidas impostas como condição para sua prisão domiciliar. O texto foi divulgado por Flávio como forma de reafirmar o apoio do pai, em meio a críticas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Moraes entendeu, seguindo parecer da Procuradoria-Geral da República, que “não houve qualquer fato superveniente” que indicasse a necessidade de eventual prorrogação do prazo de restrições.

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O ministro atendeu a um pedido feito pela defesa de Bolsonaro na semana passada. Os advogados sustentaram que o ex-presidente quer voltar a receber regularmente seus familiares, “preservando-se dimensão relevante da convivência pessoal e familiar durante o cumprimento da pena, sem qualquer prejuízo às condições de segurança e fiscalização já estabelecidas”.
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No último dia 10, Moraes já havia autorizado que Jair Bolsonaro voltasse a receber visitas permanentes de cinco familiares: seu irmão Renato Bolsonaro; suas cunhadas e seus sogros.
Entenda o caso
A decisão de Moraes de restingir visitas a Bolsonaro foi motivada por um vídeo publicado por Flávio em julho, no qual o senador anunciou que faria a leitura de uma “carta aos brasileiros” escrita pelo pai. Horas depois, ele leu integralmente o texto em uma transmissão nas redes sociais. Na carta, Bolsonaro pedia que seus apoiadores se unissem em torno da candidatura presidencial do filho e o apresenta como seu “porta-voz” e “a melhor opção para livrar o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento”.
Para Moraes, o episódio configurou desrespeito à decisão que proibiu Bolsonaro de utilizar redes sociais “diretamente ou por intermédio de terceiros”. O ministro afirmou que a própria manifestação de Flávio demonstrou que a mensagem foi produzida pelo ex-presidente com o objetivo de ser divulgada publicamente.
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“A afirmação de seu filho FLÁVIO NANTES BOLSONARO – “É imperdível, um recado muito importante que ele quer dar a toda a nossa nação” – sugere que o sentenciado tinha plena ciência de que sua carta seria divulgada em redes sociais, o que, configuraria igualmente desrespeito a medida cautelar a que está submetido, devendo os fatos, portanto, serem esclarecidos pela Defesa”, disse o ministro do STF.
Com esse entendimento, o ministro concluiu que houve desvio de finalidade no exercício do direito de visita e determinou sua suspensão pelo prazo de 90 dias, o que deve fazer com o que o senador fique sem contato com o pai durante toda a campanha do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Pela decisão, a comunicação só poderia ser restabelecida após o dia 11 de outubro.