Moody’s alerta para novos defaults e corte generalizado no rating da Zona do Euro

Agência de classificação de risco alerta para perda de acesso ao mercado da dívida por lentidão na tomada de decisões no bloco

SÃO PAULO – A crescente pressão sobre o acesso dos países da Zona do Euro ao mercado da dívida, tanto para bancos como para os Tesouros, levou a agência de classificação de risco Moody’s a alertar sobre um rebaixamento generalizado da nota de crédito dos membros do bloco europeu.

O comunicado afirma que a ausência de políticas claras para se garantir o financiamento a custos menores – Itália e Espanha, por exemplo, já ultrapassaram níveis históricos desde a criação da moeda única para vender seus papéis soberanos – está levando o grupo de nações a uma encruzilhada: maior integração ou pulverização do euro.

Possibilidade de calote
De acordo com a agência, caso as autoridades europeias aguardem maiores choques para tomar posições mais duras e não garantam a confiança do mercado, há a possibilidade de um ou mais defaults se darem no continente, seguindo o programa de envolvimento do setor privado na Grécia.

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Caso a dívida soberana realmente deixe de ser paga, ou seja negociada, os rating dessas nações automaticamente seriam cortados para o nível especulativo, fechando a porta de acesso a novas emissões de títulos públicos. O calote, então, exigiria novos planos de resgate.

Cenário mais negativo
A Moody’s, no entanto, não descarta a possibilidade de um default generalizado na Zona do Euro. “Quanto mais tempo continuar a crise de liquidez, mais rapidamente a probabilidade de defaults vai subir”, diz a agência em seu relatório. Para os analistas, essa probabilidade já se tornou mais palpável.

Um cenário ainda mais negativo incluiria uma saída generalizada de nações do grupo que utiliza a moeda única, fragmentando o bloco econômico. Isso afetaria as notas de todos os países envolvidos, inclusive os que são parte apenas da União Europeia. A Moody’s espera revisar esses ratings ainda durante o primeiro trimestre de 2012.