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“Momento é o ideal para investir no Brasil”, diz Mendonça de Barros

Segundo o economista e sócio-fundador da Quest Investimentos, há otimismo apesar do momento difícil; contudo, ele destaca que o cenário atual é de "perplexidade"

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SÃO PAULO – Em evento realizado pela Bloomberg e Azimut em São Paulo, o sócio e fundador da Quest Investimentos, Luiz Carlos Mendonça de Barros, destacou que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, é necessário por no mínimo dois anos e que ele está “fazendo o feijão com arroz” destacando que, mais tarde, ele terá que mudar.

Apesar do momento difícil e destacar que o cenário atual é de “perplexidade” o economista destacou que o Brasil sempre consegue superar adversidades. “O Brasil está vivendo um momento rico, que vai reconstruir as bases do crescimento econômico”, afirmou.

Já para o PT, as perspectivas não são positivas. “Está acabando a hegemonia do PT. O partido vai passar a ser de médio porte. Em 2016, o PT vai ‘tomar uma surra’ em eleições municipais de 2016 e depois disso, próximas eleições serão as presidenciais”, afirmou Mendonça de Barros, destacando que uma nova hegemonia política irá surgir. 

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Para ele, nós nos aproximamos de uma nova hegemonia política brasileira, à direita. “O Brasil esta deixando de ser um país de centro-esquerda para se tornar centro-direita”, exemplificando discussão da redução da maioridade penal e terceirizações. E aposta: “é a volta do PSDB para o campo político”.

Mudou o software
Segundo ele, Dilma está bastante preocupada: com o seu mandato, com o seu legado e com a sua imagem para a população. E destaca que o pessimismo com o governo explica-se pela dificuldade do mercado em perceber que a presidente Dilma Rousseff mudou totalmente o modelo de política econômica.

“O software da economia mudou, é a antítese do software do governo do Lula e do PT”, diz Barros, que foi ministro das Comunicações e presidente do BNDES no governo do PSDB. “O governo de Dilma, como PT, perdeu as 2 âncoras que tinha no 1º mandato, 2 âncoras de esquerda, que eram a parte macroeconômica e a parte de intervenção do Estado na economia”. 

E afirmou que o mercado erra ao ser pessimista por supostos problemas em detalhes como o fato de o programa de concessões não ser mais ousado ou trazer alguns projetos de viabilidade questionável. “O mercado não entendeu que a Dilma mudou mesmo. Ela não tem outra escolha. E tem de fazer o mais rápido possível”.

Mendonça de Barros aproveitou para brincar sobre sua experiência no governo, que, em seu entendimento, ajuda na capacidade de relativizar as atuais adversidades e ter como mensurar a dimensão dos problemas: “a inflação por dia útil era de 2% e o Sarney era presidente. Não tem combinação pior”, brincou, arrancando risos do público.

Ainda motivado com a recente joint venture de sua empresa – a Quest – com a Azimut, o economista vê grandes avanços e novas oportunidades no mercado doméstico. “Coloque o Brasil em um apanhado de 30 anos”, sugeriu, “o momento é o ideal para investir aqui. Os preços estão baixos e o brasileiro é gastador”, o que contribui no aquecimento da economia. No entanto, isso, em sua visão, não é suficiente para apagar os erros do passado: “nosso problema é que perdemos uma chance extraordinária”.