Viagem à África

Ministros viajam à África para retomar relações com o continente

A decisão de recolocar a África no radar brasileiro é o primeiro sinal de mudança na política externa nesse segundo mandato da presidente Dilma Rousseff

arrow_forwardMais sobre

O governo brasileiro começa, esta semana, uma ofensiva para retomar as relações com o continente africano. Na sexta-feira, 27, os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Armando Monteiro Neto, partem para uma primeira viagem a Angola e Moçambique, os dois países de língua portuguesa onde a presença brasileira é mais forte. Vieira ainda visita Gana e São Tomé e Príncipe.

A decisão de recolocar a África no radar brasileiro é o primeiro sinal de mudança na política externa nesse segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. “É muito importante para o Brasil manter essa relação”, disse Mauro Vieira ao Estado na sexta-feira, depois de oferecer um almoço a duas dezenas de embaixadores e diplomatas africanos no Palácio do Itamaraty. Ao fazer o discurso de recepção, o ministro fez questão de deixar claro o interesse brasileiro na região – mesmo que os recursos para cooperação técnica, uma das principais portas de entrada nos países africanos, tenham sido muito reduzidos.

“Ajustes conjunturais podem incidir momentaneamente sobre os meios de que dispomos, mas não alteram nossa noção de prioridades. A África foi, é e continuará a ser uma prioridade absoluta da política externa brasileira”, afirmou.

PUBLICIDADE

Nesse primeiro périplo africano, o governo brasileiro quer chegar com força, para marcar novamente sua presença. Além de dois ministros, vão a Angola e Moçambique uma missão comercial, além de um grupo de técnicos do Ministério do Desenvolvimento e de diplomatas representando as áreas de cooperação e também promoção comercial.

Até agora, dois atos já estão acertados. Será com esses dois países que o Brasil irá assinar os primeiros Acordos de Proteção de Investimentos (APIs) importantes. O mecanismo, adotado por dezenas de países, foi deixado de lado pelo Brasil desde a década de 90, quando os acordos acertados pelo governo Fernando Henrique Cardoso foram considerados problemáticos por permitir que questões sobre o tema pudesse ser resolvidas na Justiça internacional. Os novos APIs preveem uma mesa de negociações para solução de controvérsia e podem dar mais garantia a investidores nos dois países.

O Brasil também vai tratar de cooperação, mas, dessa vez, o foco das visitas é mais comercial. A intenção é reabrir as portas às empresas brasileiras, e há espaço para isso. O embaixador da Nigéria no Brasil, Adamu Emozozo, concorda. “Somos um país de território não muito grande, mas quase com a população do Brasil, 170 milhões de pessoas. Na nossa região, somos um mercado de 400 milhões de habitantes. É uma enorme oportunidade para o Brasil”, afirmou ao jornal “O Estado de S. Paulo” durante almoço no Itamaraty.