Tensão política

Ministro intervém para conter bate-boca entre Cunha e petistas

Hostilizado por petistas em Congresso, presidente da Câmara dos Deputados disse que dificilmente repetirá a aliança entre PMDB e PT

arrow_forwardMais sobre

SÃO PAULO – O governo já definiu uma estratégia para mitigar o impacto da crise que se instalou entre o PT e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB). Segundo informações do Estado de S. Paulo, o ministro da Defesa, Jaques Wagner (PT), será responsável por apagar o incêndio e já teria ligado a dirigentes petistas pedindo que eles evitem troca de ofensas.  

Cunha disse nos últimos dias que o PMDB dificilmente repetirá a aliança com o PT para 2018 e foi ao Twitter atacar os militantes do partido que o hostilizaram durante Congresso. “No momento, temos compromisso com o País e a estabilidade, mas isso não quer dizer que vamos nos submeter à humilhação do PT”, disparou Cunha.

Além das trocas de farpas entre a base do PT e o presidente da Câmara, as tensões do Planalto com o PMDB também ocorreram quando o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva telefonou ao vice-presidente, Michel Temer, para cobrar explicações sobre o fato da bancada do PMDB ter aprovado a convocação de Paulo Okamotto, que comanda o Instituto Lula, na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras.

PUBLICIDADE

Ao líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT) coube a função de colocar panos quentes na questão, dizendo que o Planalto não irá criar crise onde não existe. Ele ainda afirmou que 2018 está muito longe e que se dá muito bem com o vice-presidente, Michel Temer. 

Vale lembrar que diante de todo este cenário deverá ser votado pelos deputados o projeto de lei de aumento da contribuição dos empregadores para o INSS, a chamada “desoneração da folha de pagamentos”, agora para onerá-la. O relator da proposta, Leonardo Picciani, que é ligado a Cunha, quer alterá-la, ao passo que o ministro Joaquim Levy não gostaria nem um pouco de ver o texto mexido. Principalmente diante do desafio que será fazer um superávit primário de 1,2% do PIB (Produto Interno Bruto) este ano.