No limite

Ministro de Temer freia investida do PSDB e avisa: “chegamos no osso sobre as concessões da Previdência”

"Não haverá concordância do governo com qualquer tipo de novas alteração", afirma Eliseu Padilha

SÃO PAULO – Questionado sobre a viabilidade de alterar o texto da nova versão da reforma da Previdência, que oficialmente apresentada pelo governo na semana passada (veja mais aqui), o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse que o governo não está disposto a mudar ainda mais porque ele chegou “no osso”: “chegamos no osso, no limite, e não estamos pensando em mais concessão alguma. Não haverá concordância do governo com qualquer tipo de novas alteração”, afirmou.

Na última terça-feira (28), o líder dos tucanos, Ricardo Tripoli, afirmou que o partido está negociando com o governo para acrescentar pontos na reforma da Previdência e que o relator da proposta, Arthur Maia (PPS/BA), está “disposto a receber este material e fazer uma análise”. O PSDB exige três mudanças: i) benefício integral na aposentadoria por invalidez, independentemente do lugar onde o problema ocorreu; ii) permissão para acumular benefícios (pensão e aposentadoria) até o teto do INSS (atualmente em R$ 5.531); iii) regra de transição especial — com pagamento de pedágio — para que os servidores que ingressaram no sistema até 2003 possam ter integralidade (último salário da carreira) e paridade (mesmo reajuste salarial dos ativos) sem ter o cumprimento da idade mínima de 65 anos (homem) e 62 anos (mulher), como sugere a reforma do governo.

Com a força ganha através de Alckmin, que promete coordenar melhor a saída do tucano Antonio Imbassahy da Secretaria de Governo e assegurar o caminho para a reforma ministerial sem grandes conflitos, como garantir que os tucanos vão apoiar a agenda de reformas, o PSDB não é uma “carta fora do baralho”, assim como frisou Rodrigo Maia. O presidente da Câmara destacou que a articulação intensa do governo neste momento é “fundamental” e comentou que os tucanos são chaves para aprovação do texto na Câmara: “vamos avaliar se esses três pontos vão inviabilizar a aprovação ou não, porque sem os votos do PSDB é quase impossível chegar a 308 votos”, afirmou.

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Contrário a isso, Padilha afirmou que ainda que é cedo para contar votos e que isso deve começar a partir da semana que vem. Segundo ele, o PSDB já está fora da base aliada e sua saída não tem impacto sobre os votos, já que a reforma é historicamente defendida pelos tucanos: “não me consta que PSDB tenha deixado de ter compromisso com Previdência”, disse o ministro-chefe da Casa Civil.