De saída

Ministro da Transparência decide deixar o cargo após vazamento de áudios

Com isso, Fabiano se torna o segundo ministro a perder o cargo em apenas uma semana, ou 18 dias de governo Temer

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SÃO PAULO – O ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira, pediu demissão do governo Michel Temer na noite desta segunda-feira (30). A decisão foi anunciada em uma carta enviada hoje, após conversa com o presidente interino.

Em telefonema, feito à tarde, Temer disse ter confiança no ministro e minimizou a gravação divulgada no domingo (29), em que Silveira aparece orientando investigados pela Operação Lava Jato enquanto era conselheiro do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

Com isso, Fabiano se torna o segundo ministro a perder o cargo em apenas uma semana – ou 18 dias de governo Temer. O outro foi Romero Jucá, que deixou a pasta do Planejamento há extamente uma semana.

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Neste domingo (29), reportagem do “Fantástico”, da TV Globo, revelou gravações nas quais o ministro critica a condução da Operação Lava Jato pela Procuradoria Geral da República (PGR) e dá conselhos a investigados em uma conversa com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, novo delator do esquema de corrupção que atuava na Petrobras.

Veja a carta de demissão, divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo:

“Recebi do Presidente Michel Temer o honroso convite para chefiar o Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle.

Nesse período, estive imbuído dos melhores propósitos e motivado a realizar um bom trabalho à frente da pasta.

Pela minha trajetória de integridade no serviço público, não imaginava ser alvo de especulações tão insólitas.

Não há em minhas palavras nenhuma oposição aos trabalhos do Ministério Público ou do Judiciário, instituições pelas quais tenho grande respeito.

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Foram comentários genéricos e simples opinião, decerto amplificados pelo clima de exasperação política que todos testemunhamos. Não sabia da presença de Sérgio Machado. Não fui chamado para uma reunião. O contexto era de informalidade baseado nas declarações de quem se dizia a todo instante inocente.

Reitero que jamais intercedi junto a órgãos públicos em favor de terceiros. Observo ser um despropósito sugerir que o Ministério Público possa sofrer algum tipo de influência externa, tantas foram as demonstrações de independência no cumprimento de seus deveres ao longo de todos esses anos.

A situação em que me vi involuntariamente envolvido – pois nada sei da vida de Sérgio Machado, nem com ele tenho ou tive qualquer relação – poderia trazer reflexos para o cargo que passei a exercer, de perfil notadamente técnico.

Não obstante o fato de que nada atinja a minha conduta, avalio que a melhor decisão é deixar o Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle.

Externo ao Senhor Presidente da República o meu profundo agradecimento pela confiança reiterada.

Brasília, 30 de maio de 2016.

Fabiano Silveira”