Política

Michel Temer tenta enquadrar tucanos e prepara retaliação a “traidores” no Senado

A ameaça é de novas punições pelo governo, a depender do comportamento da base em votação na Comissão de Constituição e Justiça na semana que vem e no plenário, provavelmente em julho

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SÃO PAULO – Assim que concluir a agenda de viagens oficiais e voltar ao Brasil, o presidente Michel Temer colocou como prioridade enquadrar seu principal aliado: o PSDB, tido como fiador do governo que assumiu após o impeachment de Dilma Rousseff. A ofensiva ocorre em um momento de fragilidade do peemedebista em meio às denúncias relacionadas às delações de executivos da JBS, a níveis de popularidade ainda menores e da mais recente derrota sofrida no Senado, com a rejeição pela Comissão de Assuntos Sociais ao relatório sobre a reforma trabalhista, apresentada por Ricardo Ferraço (PSDB-ES).

No radar do presidente estão as sinalizações de possível desembarque tucano da base aliada, apesar de a legenda ter decidido, por ora, não mudar de posição. Conforme lembra o jornalista Igor Gielow, da Folha de S. Paulo, os sinais ambíguos dados por caciques do PSDB sobre Temer acenderam sinal de alerta no governo. Além disso, vale lembrar que uma parcela do partido — sobretudo os chamados “cabeças pretas”, composta por figuras políticas mais jovens — já tem mostrado há algum tempo insatisfação em permanecer em uma embarcação que pode naufragar a qualquer momento.

Um dos sinais contraditórios foi observado na sugestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para a convocação de eleições antecipadas pelo peemedebista, o que irritou Temer por ter ocorrido após o presidente de honra do PSDB ter apoiado a permanência do partido na base governista. O voto contrário de Eduardo Amorim (SE) à reforma trabalhista na CAS surpreendeu o presidente na Rússia e ajudou na propagação da interpretação de que o governo perdeu parte importante de sua sustentação e que deixou de ter o controle que tinha em momentos cruciais. O empresário já ligou mais um sinal de alerta.

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Para tentar recuperar parte da força no parlamento, o presidente se esforça em enquadrar aliados. Ontem, demitiu apadrinhados do senador Hélio José (PMDB-DF), tido como um dos votos importantes na derrota do governo na CAS. Conforme noticia a mesma Folha de S. Paulo, o Planalto já começou a mapear outros cargos ocupados por indicados do peemedebista e também pelo PSDB e PSD, em uma espécie de aviso de retaliação a Amorim e a Otto Alencar (PSD-BA), que também votaram contra a reforma trabalhista na comissão.

A ameaça é de novas punições pelo governo, a depender do comportamento da base em votação na Comissão de Constituição e Justiça na semana que vem e no plenário, provavelmente em julho. A grande preocupação do governo, no entanto, é com os efeitos da rebeldia da base em votações como a da esperada denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente, a ser apreciada pela Câmara.