Análise política

“Mesmo representando terceira via, discurso de Campos é vazio e não convence”, destaca especialista

A possibilidade do presidenciável do PSB voltar atrás e apoiar Dilma no segundo turno também não pode ser descartada, prevê cientista político.

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SÃO PAULO – A sabatina promovida pelo Jornal Nacional teria feito mais uma vítima. As perguntas contundentes de William Bonner e Patrícia Poeta não deixariam o presidenciável do PSB, Eduardo Campos, confortável, assim como aconteceu no dia anterior com o candidato tucano ao Planalto, Aécio Neves. 

Campos não poupou críticas à condução de política monetária comandada pela presidente Dilma Rousseff e destacou que, se for eleito., conseguirá colocar o país de volta aos trilhos do crescimento sustentável. “Mesmo representando terceira via, discurso de Campos é vazio e não convence”, explicou Maria do Socorro Souza Braga, cientista política da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar). 

Para a especialista, a polêmica das indicações que Campos fez de alguns de seus familiares a cargos vitalícios da Justiça também foi bem explorada e causou notório desconforto no presidenciável peessebista. “Ainda assim, acredito que Campos ficou menos desconfortável do que Aécio ao responder as perguntas de Bonner sobre o aeroporto de Cláudio. Ele conseguiu responder de maneira contundente sobre os questionamentos relacionados à indicação de sua mãe, Ana Arraes, ao TCU”.

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Alinhado com Aécio, o presidenciável do PSB focou as críticas na gestão petista, se comprometeu a conduzir a inflação ao centro da meta em até quatro anos e prometeu que o país terá melhor desempenho em 2015 do que neste ano, caso ele se consagre nas urnas em outubro deste ano.

A cientista política acredita, porém, que possibilidade do presidenciável do PSB voltar atrás e apoiar Dilma no segundo turno não pode ser descartada. “O argumento de que o PT e o PSB já vinham discordando há algum tempo não é sólido o suficiente para determinar que essa aliança não pode voltar em um segundo turno. Se fosse Aécio, não estaria tão seguro de que terei o apoio de Campos em um segundo turno contra Dilma”, pontuou Maria do Socorro.

Além disso, a especialista acredita que o peessebista não consegue atribuir autenticidade à parceria entre ele e a vice de sua chapa, Marina Silva. “Ele não consegue convencer que não há divergência entre eles. A distância entre os dois pode ser um dos fatores que está afastando o eleitorado gigantesco de Marina em 2010 do seu companheiro de chapa”, concluiu.