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O desenho eleitoral de São Paulo para 2026 começa a ganhar contornos mais nítidos a partir de dois movimentos simultâneos. De um lado, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) consolida a decisão de buscar a reeleição após alinhar apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), herdeiro político de Jair Bolsonaro.
De outro, o PT tenta convencer o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a disputar o Palácio dos Bandeirantes, mesmo diante de pesquisas que apontam um cenário adverso.
A definição de Tarcísio pelo projeto estadual reduziu, ao menos por ora, a pressão de aliados e de setores para que ele entrasse na corrida presidencial. O encontro recente entre o governador e Flávio Bolsonaro selou a reaproximação após ruídos internos e reforçou a leitura de que Tarcísio ficará em São Paulo, preservando a unidade do campo bolsonarista no plano nacional.
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No campo governista, o movimento é inverso. Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que Haddad seria o nome mais competitivo da esquerda no estado, ainda que o próprio ministro já tenha declarado preferência por atuar na coordenação da campanha presidencial de Lula.
A aposta do PT não se restringe à vitória local. São Paulo é visto como peça-chave para oferecer palanque e estrutura ao presidente no maior colégio eleitoral do país, onde a esquerda historicamente enfrenta dificuldades.
Os números mais recentes, porém, reforçam o tamanho do desafio. Levantamentos do Paraná Pesquisas e do Real Time Big Data, realizados entre o fim de novembro e o início de dezembro, mostram Tarcísio com vantagem expressiva contra todos os possíveis adversários do campo lulista.
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Em cenários contra Haddad, o governador aparece com cerca de 48% a 49% das intenções de voto, enquanto o ministro oscila entre 22% e 25% — uma diferença superior a 23 pontos percentuais. Em alguns recortes, o resultado coloca Tarcísio próximo de liquidar a disputa ainda no primeiro turno.
O cenário menos desfavorável para a esquerda surge quando o adversário é o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Ainda assim, a vantagem do governador se mantém próxima de 20 pontos, segundo os dois institutos.
Já contra o ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB), os levantamentos indicam uma distância ainda maior, com Tarcísio superando a marca de 50% em alguns cenários, enquanto França permanece abaixo de 15%.
Diante desse quadro, o debate interno no PT deixa de ser apenas eleitoral e passa a ser estratégico. Uma candidatura de Haddad poderia reforçar o discurso nacional de Lula em São Paulo, mesmo com baixa probabilidade de vitória, ou preservar o ministro para uma função central na campanha presidencial.
Salvo uma mudança abrupta de cenário, a sucessão paulista tende a ser menos sobre alternância de poder no estado e mais sobre como cada campo usará São Paulo como ativo estratégico na eleição presidencial de 2026.