Delação

Merrill Lynch ajudou doleiro Alberto Youssef a trazer US$ 3,5 milhões para o Brasil

Laranja do doleiro contou que gerente do banco em Nova York ajudou a realizar uma operação para esconder a origem do dinheiro

SÃO PAULO – O doleiro Alberto Youssef, preso em março na operação Lava Jato da Polícia Federal, teve ajuda do banco norte-americano Merrill Lynch, adquirido pelo Bank of America em 2008, para trazer para o Brasil US$ 3,5 milhões em dinheiro por meio de uma operação simulada. A declaração foi feita pelo advogado Carlos Alberto Pereira da Costa.

De acordo com o advogado, o banco montou um esquema para esconder a falta de origem do dinheiro de Youssef, que teria depositado o valor de US$ 3,5 milhões no Merrill Lynch, que por sua vez abriu uma linha de crédito para uma empresa controlada pelo doleiro, a GFD Investimentos.

Ainda segundo Pereira da Costa, Júlio Lage, até então gerente do banco norte-americano em Nova York, teria feito a sugestão, já que o Merrill Lynch não aceitava uma operação tão suspeita, que seria o caso se ela passasse por uma conta, o que poderia levar a uma grande investigação contra lavagem de dinheiro por parte das autoridades dos EUA.

PUBLICIDADE

Pereira da Costa ainda disse que o fundo de pensão da Petrobras, o Petros, fez um investimento de R$ 13 milhões em uma empresa do deputado José Janene, morto em 2010, depois que dois diretores da entidades receberam propina. Em esclarecimento de hoje, no entanto, a assessoria de imprensa do Petros disse que não teve acesso ao processo que tramita na Justiça, que refere-se a um investimento realizado em 2006. “Todos os investimentos da Fundação passam por avaliações de rating externas e também por análises de um Comitê de Investimentos, órgão técnico formado por gerentes executivos contratados diretamente do mercado. A Petros reitera que todas as operações que realiza respeitam as melhores práticas de governança corporativa, a legislação vigente e os preceitos estabelecidos pelas suas políticas de investimento”, informou.

O advogado, que foi preso junto com o Youssef na operação Lava Jato, é laranja do doleiro em uma empresa no Brasil, além de duas nos EUA, e aceitou fazer uma delação premiada para tentar reduzir sua pena.