Mercado subestimou riscos políticos com a Vale? Analistas acham que não

Apesar de pressão, rusgas são apenas superficiais e solução para cobrança de royalties deverá surgir de forma amigável

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SÃO PAULO –  A última sessão, na qual os papéis da Vale (VALE3,VALE5) apresentaram forte queda (ON -3,65%, PNA -2,90%) após o anúncio de cobrança de royalties não pagos no valor de R$ 4 bilhões, trouxe à tona novamente a complexidade da relação da empresa com o Governo.

Por ser uma ex-estatal de enorme importância para a economia brasileira, a companhia é recorrentemente envolvida em questões que envolvem influência política do Governo, uma vez que ainda possui boa parte de seu capital social ligado indiretamente ao estado através de BNDESPar e Previ – fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, cujos gestores são indicados pelo governo federal.

Rusgas superificiais
Para o analista Pedro Galdi, da SLW, a oscilação das ações foi resultado apenas de especulação exagerada, uma vez que a Vale está em um “momento muito feliz de sua história”, enfatizou o analista, dando destaque para o forte resultado de 2010 e as perspectivas que apontam que a empresa dobrará de tamanho em 5 anos.

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Galdi explica que há apenas rusgas superficiais entre as partes, as quais foram destacadas apenas como parte do processo da recém-promoção do DPMN (Departamento Nacional de Produção Mineral), agência reguladora, e que deverão ser solucionadas em breve com encontros técnicos entre os envolvidos.

O analista conclui lembrando que os altos investimentos previstos, inclusive em siderurgia, que viabilizarão os projetos de crescimento foram a razão principal para que o princípio de pressão para que Roger Agnelli deixasse a presidência da companhia fosse deixada de lado, mitigando mais um indício de conflitos com o Governo.

Risco de paralização é remoto
Já a analista Daniella Maia, da Ativa Corretora, ressalta que “o maior risco relacionado à disputa é o de uma eventual parada das atividades de Carajás, conforme o requerido pelo processo aberto pelo DNPM em 25 de fevereiro”

Mas, logo em seguida, Maia completa que, mesmo a notícia tendo um efeito negativo para Vale, é muito remota a possibilidade de paralisação das atividades da companhia em Carajás e, bem como de que a cobrança dos royalties tenha julgamento e efeito no curto prazo.

Apenas demonstração de força
Já  outro analista de mercado, vinculado ao research de banco de investimentos estrangeiro e que pediu para não ser identificado, afirma que há sim um caráter político por trás da cobrança dos royalties, uma vez que os processos de cobrança tiveram início em 2002 e 2006, porém foram requentados como forma de demonstração de força do Governo.

Segundo o analista, esta não é uma prática nova e não deve ser interpretada como uma intensão obscura do Governo em ter maior ingerência junto à Vale.

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