Mercado responde a melhora de Serra nas pesquisas com alta de ações de estatais

O governo tucano deve reforçar a gestão de companhias públicas e promover um ajuste fiscal rigoroso, diz MCM Consultores

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SÃO PAULO – A duas semanas do segundo turno, a disputa entre os presidenciáveis José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) mostra-se relativamente equilibrada. Para os consultores da MCM, o fato do tucano estar bem mais perto de chegar ao Planalto do que algumas semanas atrás já está sendo incorporado ao cenário financeiro.

“É razoável afirmar que a possibilidade de Serra vencer nunca foi tão concreta”, diz a consultoria. Na quinta-feira passada (14), quando a pesquisa CNT/Sensus apontou empate entre os candidatos, o mercado repercutiu com a queda dos juros longos e a alta do Ibovespa.

Juros longos e estatais 
Para o setor financeiro, em um eventual governo tucano, as estatais teriam sua governança corporativa reforçada. A melhor gestão favoreceria a rentabilidade de empresas do setor elétrico e também da Petrobras, com ganhos ao Ibovespa.

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Além disso, há considerações de que Serra estaria mais apto do que Dilma a fazer um ajuste estrutural das contas públicas, o que explicaria a queda dos juros longos.

“Certamente, o mercado antecipará esses movimentos a cada sinal de que a vitória tucana é possível”, diz a MCM. A consultoria destaca que Serra precisa de 2 a 4 pontos para empatar com Dilma, segundo as últimas pesquisas Sensus, Ibope e Datafolha. Para isso, o ex-governador conta com o apoio de Geraldo Alckmin e Aécio Neves, influentes nos dois maiores colégios eleitorais do país: São Paulo e Minas Gerais.

Juros curtos e taxa de câmbio 
Apesar das promessas de campanha, como o aumento do salário mínimo para R$ 600, um reajuste das aposentadorias em 10% e a concessão do 13º para o Bolsa Família, “persiste no mercado a convicção de que na totalidade de sua administração, o ajuste fiscal será rigoroso”, diz a MCM.

A influência da corrida eleitoral nas taxas de curto prazo tendem a ser menos relevantes, já que ela depende mais de fatores inflacionários do que do ajuste fiscal. Em relação à taxa de câmbio, a conjuntura eleitoral tende a ser irrelevante, já que é pouco provável que a tendência de valorização do real frente ao dólar seja mudada por meio medidas de políticas econômicas.