Mercado reage bem, mas necessidade de segundo turno mantém incertezas

Ibovespa abre em forte alta, mas investidores ainda devem ter dificuldade para projetar cenário para 2007

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SÃO PAULO – O prolongamento da corrida presidencial para o segundo turno mantém elevado o grau de incertezas no mercado brasileiro.

Ainda que o pleito deste ano não tenha causado grandes abalos macroeconômicos, o adiamento da decisão e o aumento das chances de vitória de Geraldo Alckmin ainda deixam nebuloso o cenário para 2007.

O quadro pode mudar?

Até a última sexta-feira, a hipótese majoritária entre os investidores era a de que a reeleição de Lula estaria garantida, mesmo que não fosse no primeiro turno.

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Obtendo mais de 40% dos votos válidos, no entanto, Alckmin creditou-se a disputar a vaga no Planalto e, segundo analistas, vem fortalecido para as eleições de 29 de outubro.

Entre Lula e Alckmin

O mercado financeiro mostra preferência pelo candidato tucano, graças à sua postura mais pró-mercado e às perspectivas de uma maior racionalização dos gastos públicos. A vitória do tucano também poderia significar uma retomada das privatizações, com reflexos positivos sobre o mercado de ações.

A reeleição de Lula, porém, não é encarada com muita preocupação, já que, de fato, pouca coisa deve mudar no plano macroeconômico geral.

A percepção é de que o cenário de controle da inflação, superávits primários e estabilização das principais variáveis econômicas deve ser mantido em qualquer um dos casos.

Improváveis semelhanças

Graças às improváveis semelhanças entre os candidatos, a notícia da realização de um segundo turno não deve causar fortes emoções nesta segunda-feira, apesar do ônus da manutenção das incertezas até o próximo dia 29 de outubro.

Corroborando tal percepção, o dólar abriu a sessão em leve queda, enquanto o risco país opera quase estável, apenas 1 ponto-base acima do fechamento de sexta-feira. Já o Ibovespa reage positivamente e opera em alta nesta manhã.

Eventos específicos

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Sem a expectativa de grandes impactos macroeconômicos, o mercado procura antecipar eventos específicos a respeito dos passos do próximo governo.

Com o crescimento das chances de Alckmin, as ações da Eletrobrás, tanto ON quanto PNB, avançam mais de 5%, precificando uma possível privatização em um eventual governo Alckmin.

Ações de empresas relacionadas a setores em processo de obtenção de marcos regulatórios, como telefonia, energia e saneamento, também devem ser observadas.