Mercado pode antecipar ajustes na expectativa por eleições, diz analista

Entrevista do presidente do PSDB dá sinais de que Serra pode alterar rumos de política econômica de FHC e Lula

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SÃO PAULO – A partir de afirmação recente do presidente do PSDB, o senador Sérgio Guerra, é possível tentar entrever como será a política econômica caso o atual governador de São Paulo, José Serra, seja eleito presidente do Brasil neste ano. É o que afirma Alberto Furuguem, em relatório do Banco Cruzeiro do Sul.

Em entrevista à revista Veja no início deste mês, Guerra afirmou que “iremos mexer na taxa de juros, no câmbio e nas metas de inflação”. Serra pré-candidato do PSDB, tem atualmente cerca de 40% das intenções de voto (o número exato depende da pesquisa) e é o líder na corrida presidencial.

Para Furuguem, mesmo quando era ministro do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Serra já tinha visões contrastantes quanto à execução e formulação das políticas cambial e monetária. Como Lula seguiu a linha adotada por FHC, “um eventual governo Serra poderá ser diferente”.

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Frente a essa projeção, “não há dúvida de que os mercados poderão antecipar ajustes, este ano, em face das expectativas sobre os tipos de políticas monetária e cambial que poderão ser colocadas em prática pelo próximo governo”.

Ajustes
No entanto, é preciso saber o que significa “mexer” nas diretrizes econômicas. Quanto às metas de inflação, por exemplo, Furuguem acredita que Serra pode utilizar com mais flexibilidade a margem de tolerância do atual sistema de metas.

No entanto, se essa flexibilização for “substancial”, haverá motivos para temer pela estabilidade monetária. No entanto, o analista não acredita que esse seja o caso.

Diferente e consistente
Para o analista, sempre é possível realizar um desenho de política macroeconômica que seja “diferente” e consistente. É provável, para Furuguem, que mexer na taxa de juros e no câmbio signifique juros menores e certa desvalorização do real.

A taxa de juros menor pode não prejudicar a inflação caso sejam adotadas medidas na área fiscal, como a redução da carga tributária e o corte de despesas correntes, aponta.

“Na área de política cambial é possível colocar em prática uma estratégia que vise preservar e fortalecer a capacidade competitiva internacional da indústria brasileira”, como faz a China e boa parte dos emergentes asiáticos, exemplifica. Resta saber se essa seria a base de inspiração de Serra.

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Por fim, o analista afirma que uma boa surpresa poderia ser uma reforma tributária que diminua a carga de impostos como proporção do PIB (Produto Interno Bruto) – apesar de ainda não estar claro se isso é considerado viável e prioritário dentro do PSDB.