Rali chegou ao fim?

Mercado já assume 47% de chance de troca de presidente, diz Credit

Para analistas, vitória da oposição já está aparentemente bem precificada na Bolsa, lembrando que de março a maio estrangeiros entraram com mais de R$ 7 bi na Bovespa

SÃO PAULO – O Ibovespa subiu pouco mais de 20% desde que bateu seu fundo mais recente, na metade de março. Para o mercado, o rali da Bolsa foi muito mais político do que fundamentos. As pesquisas eleitorais que pipocaram nos últimos dias foram os grandes motores do mercado. Queda de popularidade ou intenção de voto da atual presidente Dilma Rousseff significava alta do principal índice de ações da Bolsa nas últimas semanas. Entretanto, depois de toda essa disparada, qual o cenário atual? O mercado já precificou uma possível vitória da oposição ou ainda tem espaço para subir em meio às pesquisas?

Para o Credit Suisse, a vitória da oposição já está aparentemente bem precificada, lembrando que de março a maio os investidores estrangeiros entraram com mais de R$ 7 bilhões na Bolsa. Segundo cálculos do banco, o mercado já assume 47% de chance de uma troca de presidente, dando no máximo 22% de potencial de valorização para o IBX-50, índice que compila as 50 maiores companhias do mercado e que serviu de base para o estudo. 

Embora mostre ainda um certo espaço, eles ponderam que há riscos nesse call político. Isso porque a campanha eleitoral vai começar a se intensificar a partir de julho e o PT terá um horário na televisão muito maior do que os concorrentes, além da participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ainda tem uma imagem muito forte e deve aparecer mais. Ou seja, pode trazer à tona a inversão do cenário que levou o Ibovespa para cima – o ganho de participação de Dilma nas pesquisas de intenção de voto.

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Vale ressaltar também a preocupação dos players locais com o “dia após a eleição” devido aos importantes ajustes que o País necessariamente deverá passar independentemente de quem seja o candidato vencedor.

Depois dessa alta de cerca de 20% no Ibovespa, eles acreditam que as pesquisas não serão mais os principais guias para novas altas do índice. É preciso uma nova arrancada em nomes cíclicos da Bolsa, como Vale (VALE3; VALE5), Usiminas (USIM5), Gerdau (GGBR4), CSN (CSNA3) e Braskem (BRKM5), e que estão muito mais ligados ao cenário macroeconômico global, mas que não parece provável no momento, comentaram os analistas. 

Há como se beneficiar ainda?
Segundo os analistas, alguns nomes ainda deixam um espaço para ganhos com a oposição ganhando força. De acordo com o estudo do Credit, estão nesta lista BB Seguridade (BBSE3), com upside (potencial de valorização) adicional de 20% em relação ao patamar atual, Petrobras (PETR3; PETR4) com 40%, assim como Cemig (CMIG4), 40%.

Além desses, os analistas comentam que os bancos privados, embora já tenham andado muito, também dão um upside adicional de 15%, enquanto a BM&FBovespa (BVMF3) pode ganhar cerca de 25% nesse cenário.