Situação crítica

Mercado faz alerta: sem previdência, eleição de 2018 ganha tom de “vida ou morte”

Sem ela, haverá apreensão e nervosismo em torno da eleição, com o mercado sujeito à muita volatilidade

SÃO PAULO – Com tamanho pessimismo recente em meio à reforma da previdência, mensageiros do mercado financeiro endureceram o discurso para os aliados do governo. Segundo afirma a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, eles apontam que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), só deve colocar a reforma em votação quando for certo que ela será aprovada. Caso haja derrota, haverá um impacto forte na bolsa e no dólar. 

Além disso, afirmaram que empurrar a aposentadoria para o próximo governo conferirá à eleição de 2018 ares de “vida ou morte”. Isso porque, na avaliação do mercado, a reforma, mesmo que tímida,  dará uma sinalização segura de redução da dívida no médio prazo.

Sem ela, haverá apreensão e nervosismo em torno da eleição, com o mercado sujeito à muita volatilidade. As últimas pesquisas eleitorais reforçaram esse argumento, com Lula (contra a reforma) e Jair Bolsonaro (que, apesar das últimas sinalizações, ainda gera desconfiança do mercado, como você pode conferir aqui) liderando as intenções de voto. Assim, há o alerta de que os investimentos vão secar até uma definição do resultado.   

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Contudo, o ambiente segue complicado para a reforma. Levantamento feito pela Folha de S. Paulo aponta que 212 deputados são contra a reforma, tornando impossível a aprovação da proposta, que precisa de votação maciça por ser tratar de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), que precisa de 308 votos dos 513 deputados. Apenas 42 deputados disseram ser favoráveis ao projeto tal como apresentado pelo governo Michel Temer. Outros 11 se disseram favoráveis parcialmente, divergindo da proposta em relação a itens como exigência de idade mínima e limitação para o acúmulo de pensões.

Em meio a esse cenário, o governo busca uma solução intermediária. Segundo o jornal O Globo, para não correr o risco de pautar votação da matéria este ano e ser derrotado, governo considera adiar reforma da Previdência para 2018. Mas, no discurso, por enquanto, a expectativa é que se vote ainda esse ano, mas que fique para a segunda semana de dezembro.