Menos euforia é bem vista e ex-presidentes do BC avaliam Brasil como “compra”

Henrique Meirelles e Gustavo Franco mostram otimismo com o Brasil, mas destacam que o País precisa de reformas

SÃO PAULO – Desde o início desse mês diversas publicações internacionais produziram reportagens com um tom mais pessimista quanto ao Brasil, assim como diversas casas de research têm revisado as suas projeções. Mas isso não é ruim. Ao menos na opinião de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central entre 2003 e 2010.

“A euforia gera bolhas”, disse em evento promovido pela Reuters nesta sexta-feira (25). Segundo Meirelles, o sentimento em torno do Brasil ainda é positivo, mas sem euforia. Dessa forma, ainda há um interesse em investir no País, mas dessa vez de modo mais seletivo.

O ex-presidente do Banco Central diz que essa reação negativa por parte dos estrangeiros tem sido ocasionada pro três fatores: aumento global na aversão ao risco, queda nos preços das commodities e incertezas com relação ao PIB (Produto Interno Bruto) brasileira, já que há dúvidas se a desaceleração é pontual ou não.

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Brasil barato: é hora de comprar
Nessa mesma linha, Henrique Meirelles e Gustavo Franco, presidente do Banco Central nos anos 90 e um dos responsáveis pelo Plano Real, diz que, de modo geral, a recomendação para o Brasil seria de compra.

Para justificar essa posição, eles dizem que o país não está caro, tanto que o País continua a atrair investimentos estrangeiros. Contudo, Franco alerta que o País precisa de reformas econômicas, além de chegar a um acordo entre investimentos privados e públicos, de modo a melhorar o nivel de produtividade.

Já Meirelles ressalta as boas perspectivas para o setor interno. “[O Brasil] tem muitas áreas fortes, uma delas é o consumo doméstico”, disse. O ex-presidente do BC lembra que a classe média já contabiliza 55% da população, após cerca de 14 milhões fazerem parte dela nos últimos anos. “É uma mudança muito importante, e veio para ficar”, conclui.