Mendonça já havia quebrado sigilos de Lulinha antes de votação da CPMI do INSS

Pedido da PF foi autorizado em janeiro no STF, no inquérito sobre fraudes no INSS; mesmo tema voltou à cena após CPMI aprovar nova quebra de sigilo do filho do presidente

Caio César

Ministro André Mendonça na sessão plenária do STF. Foto: Rosinei Coutinho/STF
Ministro André Mendonça na sessão plenária do STF. Foto: Rosinei Coutinho/STF

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O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”, antes mesmo da votação da CPMI do INSS sobre o mesmo pedido.

A decisão de Mendonça atendeu a um pedido da Polícia Federal feito em janeiro deste ano, mas a solicitação tramita sob sigilo, o que dificultou o rastreamento da ação.

A quebra de sigilo também ocorre no âmbito da investigação sobre a fraude no INSS. A Polícia Federal apontou ao Supremo uma proximidade de Lulinha com o lobista Antônio Camilo Antunes, o “careca do INSS”, com quem ele teria atuado para destravar negócios no Ministério da Saúde.

Trechos de relatório obtido pelo g1 indicam que o filho do presidente pode ter atuado como sócio oculto de Antunes. Os investigadores, no entanto, sustentam que as menções a Lulinha surgiram por intermédio de terceiros e que não há, até o momento, elemento que o vincule diretamente à participação na fraude.

CPMI

A CPMI do INSS aprovou, nesta quinta-feira (26), um requerimento que pedia a quebra dos sigilos de Lulinha. O resultado foi comemorado pela oposição, que tenta aproximar o escândalo do atual governo.

Governistas tentaram obstruir a votação, solicitando que os requerimentos da sessão fossem analisados em bloco, o que impediria a apreciação individual de cada pedido e, em caso de aprovação, também resultaria na convocação de nomes de interesse do governo.