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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, afirmou na segunda-feira (6) que “um bom magistrado” precisa agir com prudência, integridade e manter a discrição para não ser “mal interpretado pela sociedade” e acabar minando a credibilidade da Corte.
“Não que sejamos imunes ao erro ou equívoco. Às vezes, estamos próximos de pessoas sem ter relação com elas, mas essa presença pode ser mal interpretada pela sociedade. Precisamos estar imunes às ações que comprometam a credibilidade que a sociedade espera de um bom magistrado”, disse.
As falas ocorreram durante a cerimônia em que deputados estaduais de São Paulo concederam a Mendonça o Colar de Honra ao Mérito, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
O evento, proposto pelo deputado estadual Oseias de Madureira (PL), contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Também participou o ex-ministro da Advocacia-Geral da União e indicado ao STF, Jorge Messias.
A honraria foi concedida dois meses após o ministro ter sido sorteado como novo relator do caso Master na Corte, depois de Dias Toffoli decidir deixar a função. A mudança na relatoria resultou na determinação da prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e em uma maior participação da Polícia Federal no caso, além de mais transparência em relação ao andamento da investigação junto à imprensa.
Durante o discurso ao receber a honraria, Mendonça reforçou que a credibilidade da Suprema Corte depende da conduta de seus integrantes e que o conceito de integridade para membros do Judiciário é mais amplo, envolvendo tomar decisões independentemente de reconhecimento público.
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“Fazer o certo pelos motivos certos é agir mesmo sem reconhecimento. É fazer o correto e ainda ser criticado. Integridade, imparcialidade e responsabilidade são essenciais. O homem público precisa compreender o peso de sua função e agir de forma igualitária”, destacou.
O ministro também comentou as recentes críticas da imprensa sobre sua imparcialidade, momento em que afirmou buscá-la apesar do alinhamento evangélico.
“A missão que me foi investida não me dá esse direito. Seja a missão pública, seja a minha fé. Aliás, eu fui ensinado a orar pelos que me perseguem. Para abençoar inclusive a eles. Então, é um compromisso que faço, mesmo sendo imperfeito”, concluiu.
