Revisão da meta

Meirelles pediu tempo às agências de rating para revisarem Brasil e se irritou com atitude de Jucá

Segundo coluna Painel, da Folha, ministro da Fazenda entrou em contato com as três grandes agências de classificação de risco e falou com dirigentes dos principais bancos do País; antecipação da nova meta por Jucá foi vista com irritação, mas não surpresa por Meirelles

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SÃO PAULO – O ministro da Fazenda Henrique Meirelles, ciente de que a revisão da meta fiscal seria inevitável, já havia entrado em contato nesta semana com representantes das três grandes agências de classificação de risco – Standard & Poor’s, Fitch Ratings e Moody’s – pedindo que esperassem um trimestre antes de rever a nota de crédito soberano brasileira, informa a coluna Painel, da Folha de S. Paulo. Havia temor de que, após a revisão da meta para um déficit maior (que foi confirmado, a R$ 159 bilhões negativos), as agências revisassem a nota do Brasil para baixo. De acordo com a coluna Painel, da Folha, também para conter danos, falou com dirigentes dos principais bancos do país. 

Na noite de terça, logo após o anúncio da revisão da meta, a Standard & Poor’s retirou a observação negativa do rating soberano, afastando o risco imediato de redução da nota de risco soberano do país, que atualmente é BB. A observação negativa foi adotada em 22 de maio e valeria por 90 dias. A continuidade de Temer como presidente, a manutenção da equipe econômica e de sua política econômica foram os principais fatores para a retirada da observação negativa, destacou a LCA Consultores. Contudo, a  perspectiva de rating segue negativa por conta das dificuldades para a aprovação de medidas de contenção dos gastos. 

Ainda de acordo com o jornal, Meirelles ficou irritado — mas não surpreso — com o fato do líder do governo no Senado Romero Jucá (PMDB-RR) ter antecipado a nova meta. Ontem, a Fazenda havia informado que anunciaria oficialmente a nova meta às 18h desta terça, mas ele só ocorreu às 19h27, minutos depois da entrevista concedida por Jucá no Senado antecipando o anúncio do governo. Jucá, por sua vez, deixou claro ao Planalto ter ficado incomodado com o fato de terem atribuído a ele, nos bastidores, pleito para elevar o rombo na meta para R$ 179 bilhões. 

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Aliás, as tensões entre a ala política e a economia se evidenciaram no debate sobre a revisão da meta. Conforme destaca o jornal O Estado de S. Paulo, a definição da meta escancarou não apenas a queda de braço entre o núcleo político do governo e a equipe econômica como críticas diretas ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Alvo do conhecido “fogo amigo”, Meirelles queria aumentar impostos para elevar a arrecadação, diminuindo o rombo nas contas públicas, mas perdeu a briga no Palácio do Planalto. Um auxiliar do presidente Michel Temer disse ao jornal que o governo agora “joga sempre contra o relógio” em relação ao orçamento porque Meirelles é “teimoso” e que a ala política buscava um déficit maior. Na última hora, Meirelles acabou cedendo. Embora a meta tenha sido de R$ 159 bilhões para 2017 e 2018 – bem menor do que o valor desejado pela ala política -, Temer não autorizou aumento de impostos.