Meio/Ideia: Economia e segurança pública expõem limites da reeleição de Lula em 2026

Dados da pesquisa indicam que a avaliação negativa nessas duas áreas concentra os principais flancos eleitorais do governo e reduz a margem de conforto do presidente na disputa presidencial

Marina Verenicz

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
10/12/2025
REUTERS/Adriano Machado
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva 10/12/2025 REUTERS/Adriano Machado

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A mais recente rodada da pesquisa Meio/Ideia, divulgada nesta terça-feira (13), indica que a disputa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela reeleição em 2026 tende a ser condicionada menos pela força dos adversários e mais pelos limites impostos pela avaliação do próprio governo.

Os dados mostram que, embora o presidente siga competitivo nos cenários eleitorais, áreas centrais da gestão funcionam como freios à estratégia de reeleição.

Na avaliação geral do governo, a pesquisa aponta um ambiente dividido, com taxas de aprovação e reprovação próximas, o que reduz a margem de conforto do Planalto para sustentar uma campanha baseada em continuidade. Ao serem questionados, 15% dos entrevistados responderam que o governo é ótimo; 20% disseram que é bom; 20,5% consideram a gestão regular; 18,6%, ruim; e 22,8%, péssimo.

O levantamento sugere que Lula mantém um patamar relevante de apoio, mas sem folga suficiente para neutralizar o crescimento de candidaturas competitivas no segundo turno, como a do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Quando o recorte avança para áreas específicas, os dados ajudam a explicar esse teto eleitoral. Na economia, apesar de sinais de estabilização e de crescimento moderado, a percepção dos entrevistados segue marcada por cautela. Nessa área, a gestão petista é avaliada como péssima para 29,4% dos eleitores. Do outro lado, 15,8% dos eleitores responderam avaliar o governo como ótimo.

A avaliação do desempenho econômico do governo aparece mais fragmentada, refletindo preocupações persistentes com inflação, renda e custo de vida, fatores que impactam diretamente o humor do eleitorado às vésperas de um novo ciclo eleitoral.

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O quadro é ainda mais sensível na segurança pública. Somente 11,3% dos eleitores considera que o governo federal faz um ótimo trabalho na segurança pública; enquanto 30,1% considera os resultados como péssimo. A percepção negativa amplia o espaço para a oposição explorar o tema, sobretudo em um contexto em que segurança aparece de forma recorrente entre as principais preocupações do eleitor.

Esse flanco ajuda a explicar por que nomes associados a uma agenda mais dura na área conseguem reduzir a vantagem de Lula em simulações de segundo turno.

Para analistas do instituto, o conjunto dos dados indica que a eleição de 2026 tende a ser decidida por uma margem estreita, com poucos pontos percentuais separando vitória e derrota. Nesse cenário, a avaliação do governo deixa de ser apenas um pano de fundo e passa a ser variável central da disputa. A dificuldade do Planalto em melhorar a percepção sobre economia e segurança limita a capacidade de Lula ampliar seu eleitorado além da base já consolidada.

A pesquisa Meio/Ideia ouviu 2.000 eleitores em todo o país, entre os dias 8 e 12 de janeiro de 2026. As entrevistas foram realizadas por telefone. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06731/2026.