AO VIVO Renda extra imobiliária: Como montar uma carteira vencedora de FIIs; assista

Renda extra imobiliária: Como montar uma carteira vencedora de FIIs; assista

Medidas do BoJ podem ofuscar, em parte, danos à economia após desastres

Para Goldman Sachs, impactos da catástrofe serão sentido no curto prazo, porém política japonesa deve se firmar no futuro

SÃO PAULO – As consequências do desastre que atingiu o Japão estão longe de serem passíveis de previsões seguras. A cada dia que passa, o temor em relação à possibilidade de contaminação nuclear tem abalado o clima do mercado e afetado negativamente as bolsas ao redor do mundo.  

Embora o mercado já tenha, de certa forma, internalizado algumas dessas implicações, a falta de visibilidade dos cenários possíveis tende a chamar a atenção para os riscos que podem ser medidos neste momento. Por enquanto, pode-se depreender que os setores como infraestrutura e bens de capital tendem a ser os mais afetados, com desdobramentos também, a curto prazo, sobre produção manufatureira e exportações.

Mas ainda que o quadro econômico seja desafiador, os analistas do Goldman Sachs,  Noah Weisberger, Kamakshya Trivedi, Dominic Wilson e Aleksandar Timcenko, acreditam que o apoio do BoJ (Bank of Japan), que tem atuado com injeções diárias de liquidez no mercado financeiro, pode ajudar a mitigar um pouco esses riscos.

PUBLICIDADE

Assim, a analista Kathy Matsui e sua equipe de análise continuam apostando em um cenário otimista para o mercado de ações japonês no longo prazo. Embora a equipe tenha reduzido as estimativas de lucros em 10%, o target para 12 meses continua em 1050 pontos, o que corresponde a uma perspectiva positiva, esperando aceleração mais futuramente. O ponto de partida da análise é que o valuation do mercado japonês evidencia a possibilidade de ganhos no médio e longo prazo.

Essa visão de longo prazo decorre da alavancagem do mercado japonês a um ciclo de crescimento mundial ainda forte, e os analistas apostam suas fichas na orientação da política econômica japonesa, que deve se firmar como uma das mais favoráveis do mundo assim que as incertezas atuais diminuírem.

Impactos somente no curto prazo
Os estragos que essa catástrofe natural pode fazer na economia japonesa é da ordem de 3,3% do PIB (Produto Interno Bruto), ou seja, próximo de ¥ 16 trilhões. Porém, a destruição dos bens de capital e da capacidade produtiva não deve afetar significativamente a taxa de crescimento econômico no país asiático, avalia o Goldman Sachs. Ainda assim, a queda no PIB deve ser seguida por recuperação após o segundo trimestre.

Há também a possibilidade de um efeito não só na oferta, mas na demanda, uma vez que a perda de confiança na economia pode desencadear um movimento de queda nos gastos, com a possibilidade de extensão a nível global.

Medidas podem ofuscar consequências
Após um desastre desse nível, a economia precisa de estímulos para seguir sua trajetória. Nesse aspecto, a visão do Goldman é positiva, com destaque para medidas do lado fiscal e monetário.

Além da ação do BoJ, oferecendo mais 13,8 trilhões de ienes (US$ 170,644 bilhões) em recursos de curto prazo ao mercado financeiro na última quarta-feira (16), um pacote fiscal com estímulo aos gastos do governo também pode ser esperado, o que serviria para estimular a o crescimento da demanda.

PUBLICIDADE

A perda na produção também é muito localizada, o que diminui os impactos negativos. Ou seja, parte da manufatura japonesa pode ser substituída por outras plantas internacionais, não colocando em risco o desenvolvimento mundial. Além disso, essa política de “ajuda” à economia pode se estender para além das fronteiras japonesas, apoiando a economia global como um todo.

BoJ entra em ação
As medidas do Bank of Japan tiveram início na última segunda-feira (14), na tentativa de injetar liquidez nos mercados financeiros japoneses, com o aumento do programa de compra de ativos em ¥ 5 trilhões para ¥ 10 trilhões, além da ampliação do prazo para as atividades do final de 2011 para junho de 2012.

Segundo comunicado da instituição, a decisão foi tomada “com uma visão de prevenir a deterioração na confiança empresarial e na prevenção de uma elevação na aversão ao risco nos mercados financeiros”. Além disso, foi injetado mais ¥ 15 trilhões no mercado financeiro de modo a garantir a liquidez de curto prazo.

Com o temor de uma crise nuclear no país, após nova explosão registrada na usina nuclear de Fukushima, a necessidade de ajuda se fez mais intensa. Estendendo as medidas, o BoJ injetou ¥ 20 trilhões, o equivalente a aproximadamente US$ 245 bilhões, no mercado na terça-feira (15). A medida foi tomada pela autoridade monetária para garantir que os bancos tivessem liquidez suficiente para atender à demanda de retirada para a cobertura de prejuízos causados pela catástrofe.

Por fim, na última quarta-feira (16), o banco continuou a seguir sua meta de acalmar os ânimos do mercado, oferecendo mais ¥ 13,8 trilhões, o equivalente a US$ 170,644 bilhões.