Medidas do BC devem elevar dólar para além de R$ 1,70 no curto prazo, afirma analista

Relatórios de mercado apontam que compulsório de 60% para posição vendida irá gerar pressão cambial no curto prazo

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SÃO PAULO – Analistas de mercado já apontam que as medidas anunciadas pelo Banco Central nesta quinta-feira (6) irão gerar pressão cambial, favorecendo a valorização do dólar sobre o real.

Segundo a Rosenberg Associados, o câmbio já deve apresentar reações nesta sessão, embora “o mercado primário tenha condições de suprir a demanda gerada pela medida”, avalia a equipe formada por Thaís Zara, Ariadne Vitoriano, Rafael Bistafa, Daniel Lima e Marcello Bruno.

Para eles, o anúncio vem em linha com a fala do Ministro da Fazenda, Guido Mantega, na última terça-feira, de que um fortalecimento adicional do real deverá ser evitado.

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Com tendência de alta na demanda, dólar deve superar R$ 1,70
Indo ao encontro desta avaliação, o analista Julio Hegedus, da Interbolsa, também crê que a medida aumentará a demanda por dólar, e consequentemente valorizará a moeda norte-americana. 

Hegedus ainda afirma concordar com a posição do BC de que a posição vendida encontra-se muito elevada, em US$ 16,8 bilhões de dólares, ressaltando que “não é bom o posicionamento de extremos neste mercado”.

Mas o analista alerta que o maior risco desta medida fica por conta da possibilidade de haver um descasamento, no qual algum banco ou empresa ficaria a descoberto. Contudo, o prazo de três meses para a adequação à nova regra deve minimizar este risco.

Por fim, Hegedus é incisivo ao afirmar que “não tem jeito, na economia, a assimetria de informações parte da autoridade econômica. Ela detém informações que o mercado não tem. Sendo assim, não adiantam apostas contra o governo, os especuladores sempre perderão. Agora, a tendência é de valorização do dólar, devendo passar de R$ 1,70 no curto prazo”, finalizou o analista.

Confira as mudanças
A partir de 4 de abril o BC irá recolher dos bancos brasileiros, sob forma de depósito compulsório, 60% do valor das posições de câmbio vendidas em dólar que excederem US$ 3 bilhões ou o seu patrimônio de referência. O compulsório será recolhido em espécie e não será remunerado.

Segundo o diretor de política monetário da instituição, Aldo Mendes, a medida visa reduzir os US$ 16,8 bilhões de posições vendidas dos bancos brasileiros, para aproximadamente US$ 10 bilhões, segundo afirmado em entrevista coletiva. 

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As instituições bancárias do País terão até 4 abril para se adaptar à “medida de caráter prudencial”, conforme classificou Mendes, afirmando também que “tudo mais constante, haverá uma consequente tendência de valorização do dólar”, mas lembrou ainda que o mercado cambial está constantemente sujeito à externalidades.