Mauro Cid pede absolvição no STF e acusa PGR de sustentar “narrativas”

Ex-ajudante de ordens de Bolsonaro alega ausência de provas e se distancia de articulação golpista

Marina Verenicz

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), depõe na CPMI do 8 de Janeiro, no Congresso Nacional (Antônio Cruz/Agência Brasil)Mauro Cid (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)
O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), depõe na CPMI do 8 de Janeiro, no Congresso Nacional (Antônio Cruz/Agência Brasil)Mauro Cid (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

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A defesa do tenente-coronel do Exército Mauro Cid apresentou, nesta terça-feira (29) as alegações finais ao Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo a absolvição do militar das acusações de envolvimento em tentativa de golpe de Estado.

Réu ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outras sete figuras do núcleo político e militar do antigo governo, Cid foi o primeiro a apresentar manifestação final por ter firmado acordo de delação premiada com a Polícia Federal.

Na peça de defesa, os advogados do militar alegam que não há provas de que ele tenha participado ou apoiado qualquer plano golpista. “Não há, em todo o conjunto de provas reunidas nos autos, um só elemento concreto que comprove que Mauro Cid tenha praticado, instigado ou mesmo compactuado com atos de ruptura institucional”, afirmam.

Oportunidade com segurança!

Segundo a defesa, a Procuradoria-Geral da República (PGR) atuou com “excesso”, deixando de exercer seu papel institucional para se tornar “promotora de narrativas”. A acusação, na visão dos advogados, ignora depoimentos de autoridades militares que atestariam a conduta disciplinada de Cid e sustenta uma versão baseada apenas em conjecturas.

O que diz a acusação

A PGR apresentou na semana passada seu parecer final, pedindo a condenação de todos os réus da ação penal. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, sustentou que a tentativa de golpe foi real e não se concretizou apenas porque não contou com o apoio formal das Forças Armadas.

Segundo Gonet, houve uma tentativa sistemática de cooptar os comandos do Exército e da Aeronáutica, com uso de pressão, desinformação e ataques virtuais a oficiais que se recusaram a aderir ao plano.

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“O empenho em cooptá-los assumiu diversas formas, envolvendo ataques virtuais aos militares de alta patente que mantiveram, enfim, as Forças Armadas fiéis à vocação democrática que a Constituição lhes atribuiu”, afirmou.

Na avaliação da PGR, houve apresentação concreta de um plano de ruptura institucional por parte do “comandante maior das Forças Armadas (o próprio presidente da República) e pelo Ministro da Defesa”.

E agora?

Com o parecer da PGR e a manifestação de Cid já protocoladas, o STF abre agora o prazo para as alegações finais dos demais sete réus. O cronograma, segundo a Corte, não será interrompido pelo recesso do Judiciário, já que um dos acusados, o general Walter Braga Netto, encontra-se preso preventivamente.

A ação penal será julgada pela Primeira Turma do Supremo, composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Flávio Dino. Ainda não há data para o julgamento.

Quem são os réus da ação penal
• Jair Bolsonaro, ex-presidente da República
• Mauro Cid, tenente-coronel do Exército e ex-ajudante de ordens
• Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor da Abin
• Almir Garnier, ex-comandante da Marinha
• Anderson Torres, ex-ministro da Justiça
• Augusto Heleno, ex-ministro do GSI
• Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa
• Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil